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Isaura Gomes

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Isaura Gomes, Cabo Verde.
primeira mulher deputada na Assembleia Nacional (1975-1980).
primeira mulher presidente de uma Câmara Municipal (eleita em 2004; reeleita em 2008).
primeira mulher a se disponibilizar para uma eventual candidatura à Presidência da República.
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Parabéns, Zau. E obrigada por quebrar muitas barreiras.
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A actual conjuntura interna parece favorável para a corrida presidencial no feminino: ela-contra-ela.
Uma já se disponibilizou. Falta a outra...
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Marcha contra Violência...

Hoje, a sociedade civil cabo-verdiana vai se manifestar, com uma marcha pelas ruas da capital, que começa às 15h, condenando a violência contra as mulheres. Sabemos que a violência contra as mulheres é uma maldição nas nossas casas, nas nossas vilas e cidades, nas nossas ilhas, no nosso país, no nosso mundo. Portanto, ninguém deve se calar perante o incrementar de mais casos trágicos que assolam famílias, crianças e a nossa juventude.
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Percurso: Achadinha Cima, Avenida Cidade de Lisboa, Fazenda, Plateau, com paragem na praça Alexandre de Albuquerque, frente ao Tribunal; descida do Plateau, Rotunda de Chão de Areia, Avenida Cidade de Lisboa, com paragem frente ao Palácio de Governo.

Ela-contra-Ela

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8-8... alcançamos um excelente resultado!
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Desta vez, com um dos potenciais árbitros da partida de pingue‑pongue em vias de ser substituído por um ex‑jogador de xadrez, e o outro a restabelecer as suas energias depois da última caçada desafortunada, aguarda-se uma jogada, se a memória não me falha, nunca dantes vista, nem nas ilhas, nem nos arredores, desde tempos imemoriais!
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De um lado, ela, ela mesma. Do outro, uma delas.
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Eis a questão: porque é que todas, de um lado e do outro, se emudecem?
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...mas eles não estão preparados para «deixá‑las» flutuar, disse-me uma voz.
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Máxima di Guida, uma mulher-rural

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Tudo indica que nasceu na pequena aldeia à beira mar. Ali cresceu, e fez-se mulher. Mãe de um rapaz e de duas raparigas, que educou e sustentou sozinha aos olhos de toda a população da aldeia. Dos estudos, não tirou grande proveito. Por isso, cedo inventou mil alternativas para a sobrevivência do seu agregado familiar. Passou pelas Frentes de Alta Intensidade de Mão-de-Obra, com as suas anedotas e gargalhadas contagiantes; especializou‑se em fresquinhas e gelados caseiros, cobrindo, ainda hoje, com essa actividade, uma parte das suas despesas mensais. Aventurou-se pelo mundo do batuque, até se destacou em festivais e campanhas eleitorais lá na aldeia. Com os seus esforços, conquistou um emprego nos serviços dos registos e notariado do concelho. Mas não é só por essas habilidades em dar a volta à vida que Máxima di Guida é conhecida. Ela é uma das mulheres mais populares da minha aldeia piscatória.

A residência de Máxima di Guida fica localizada estrategicamente entre o antigo Posto de Saúde da Calheta e a antiga Esquadra. Portanto, no centro dos acontecimentos mais babados. Os casos mais cabeludos da aldeia não escapavam aos olhares atentos desta mulher, que quase numa lenda se transforma. Mal a assistente Alicina do Posto de Saúde da Calheta transmitia as informações relativas ao falecimento de fulano ou beltrano, Máxima di Guida se encarregava de noticiar a aldeia, através do seu choro‑cantado. Apesar dessa sua vocação em encenar o choro, o que Máxima di Guida gosta mesmo é de grandes festas e anedotas. As estórias verdadeiras da aldeia, muitas se encontram salvaguardada na sua memória. Teve contactos privilegiados, familiares, com figuras estóricas de Cutelo Miranda, e nunca esteve desactualizada sobre a vida da aldeia. Ainda hoje, vivendo na pacata Calheta, onde nem há incêndios, nem escândalos maiores, apenas teatro de rua sob a animação de populares enfadados, o seu posto de trabalho lhe mantém actualizada acerca dos nascimentos e dos óbitos, que não deixam de ser factos demasiado valiosos para as tardes de conversas afiadas, atrás da casa de Nhu Nuna e Nha Diminga, onde a aldeia espera incansavelmente pelo regresso das lanchas, agora mais vazias do que cheias.

Nunca foi homenageada pelos serviços prestados à aldeia. Com este post tento remediar esse esquecimento, recordando também a sua atenção desinteressada dedicada às crianças da minha geração, nas horas mais perigosas da aldeia – o regresso da escola. Mas não é para falar da localização estratégica da residência de Máxima di Guida e dos seus gestos de solidariedade que escrevo este post. Escrevo para falar da consciencialização desta mulher sobre a difícil luta da mulher-rural para uma vida decente. Escutei, em primeira-mão, as reivindicações de Máxima di Guida, os seus relatos reais sobre as dificuldades que muitas mulheres da minha vila enfrentam para educar e sustentar as suas crianças, muitas sem nenhuma contribuição da figura masculina. A desresponsabilização paternal e o peso que recai sobre as mulheres é hoje alvo de críticas acentuadas, sem que contudo sejam criadas políticas públicas para aliviar a situação das mulheres. Se estas continuam as mais pobres, é tanto por falta de oportunidades de emprego, como também por causa dos custos avultados que têm com o seu agregado familiar. É sobretudo no meio rural que a situação das mulheres encontra-se mais agravada, onde a percentagem das que chefiam famílias monoparentais é mais alta, sendo as possibilidades de emprego menores do que nos meios urbanos. Na minha vila, hoje já não existem as Frentes de Alta Intensidade de Mão-de-Obra, também já não existem os serviços da antiga cooperação austríaca que empregavam mais de 100 homens e mulheres da aldeia. Uma mão cheia de homens e de mulheres se encontra no desemprego, sendo que o desemprego atinge mais às mulheres. Sem recursos para financiarem os estudos das suas crianças, agora com custos adicionais relativas à formação superior no país, na maioria dos casos sem qualquer tipo de apoio das instituições nacionais e locais.

Também é dramático o desemprego jovem. A juventude ambiciona outros voos, sendo que o trabalho no campo deixou de ser uma obrigação ou uma alternativa para quem sonha em fazer parte como sujeito activo desta era do conhecimento e das tecnologias. Em que situação se encontram muitas jovens do meio rural que se aventuram diariamente a caminho das universidades? Que estratégias estão a ser utilizadas pelas nossas jovens de meios precários para a conquista de uma formação superior? Há casos que, acontecem aos nossos olhos, continuam a fragilizar a situação das nossas mulheres. Temos que pensar nas novas situações de subordinação das nossas mulheres, que psicológica e sexualmente acabam por metê‑las num enredo tão contraditório com as leis e os discursos emancipatórias propalados pelos governos nacionais e locais.

De volta

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Estive no arquipélago. Foram breves os dias, mas intensos. Mil alegrias, muita ansiedade. Nervosismo de principiante, percebe-se! Há quem diga que qualquer parto comporta emoções parecidas. No meu caso, tive a felicidade da primeira apresentação pública do livro sobre mulheres na política ter sido no Dia das Mulheres Cabo‑verdianas.
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Conto como foi...
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Na primeira sessão de apresentação, no auditório da Reitoria da Universidade de Cabo Verde, mal a Irene Cruz começou a falar, entrei em transe, desfolhando na imaginação as folhas do livro. Depois o Gabriel Fernandes interrogou-me a partir das entrelinhas, entre o dito e o não dito. Quanto ao pós-lançamento, a noite convidava‑nos para tantas coisas. Foi uma noite das mil maravilhas, entre elas a Gala Dia da Mulher Cabo‑verdiana, com a especial participação da enérgica Maria de Barros e do Vadú.
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No Mindelo, na pequena sala da Uni-Cv, onde nos reunimos, a Eileen Barbosa despertou um diálogo intimista acerca da mulher‑sujeito, convidando a assistência para uma reflexão sobre as práticas discriminatórias; o Olavo Bilac Cardoso preferiu questionar o sistema político. Da cidade, trouxe belíssimas recordações do mar. Desta vez, até o vento se feministizou, bailando suave nas praças e esplanadas.
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Em Assomada, no auditório da Universidade de Santiago, a Ivone Centeio transformou o momento num hino às lutas pela igualdade entre os sexos; o Aquilino Varela decidiu atiçar o debate, naquele cambar de noite, calorosamente acolhida pela comunidade local. Foi um momento de alegria redobrada, sobretudo pela presença de pessoas amigas dos anos mágicos do liceu.
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Em São Miguel, depois de uma manhã na komunidadi di rabeladus, o auditório da municipal câmara foi palco para uma palestra com e sobre as mulheres do concelho. No final, o batuque invadiu o espaço.

um convite muito especial

Falta apenas uma semana

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Vou para o arquipélago da paixão. Brevemente, deixarei neste meu esconderijo um convite muito especial para a blogosfera berdiana. De momento, entre um chá e uma barra de chocolate, anoto no meu bloco as maravilhas do mês de Março.

1. Celebração do Dia da Mulher Cabo-Verdiana;
2. Lançamento do meu livro sobre mulheres na política;
3. Conversa afiada entre e sobre mulheres, dirigida pela Eileen;
4. Teatro no Mindelo, estreia de No Inferno;
5. Três dias de descanso, sozinha em casa, na minha Calheta.
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8 de Março

Corria o ano de 1857. Reza a história que, no dia 8 de Março, 129 tecelãs da Fábrica de Tecidos Cotton, em Nova York, fizeram uma greve pela redução da jornada de trabalho para dez horas diárias. Depois da descarga policial, as mulheres operárias esconderam-se no interior da fábrica. A polícia e os patrões, por sua vez, fizeram a sua justiça suprema: trancaram as portas da fábrica e atearam fogo. Carbonizadas, morreram elas. No mesmo ano, em Leipzig, na longínqua Alemanha, nascia a Clara. Conhecida por Clara Zetkin, jornalista e militante que dedicou muito à organização do feminismo internacional, tendo sugerido, durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Agosto de 1910, em Copenhaga (Dinamarca), a organização de uma manifestação internacional para a promoção do feminismo internacional, com enfoque no direito ao voto. Tal viria a acontecer a 8 de Março de 1911...
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Desde então, a data nunca mais deixou de ser celebrada. E a internacionalização do dia 8 de Março para a celebração das conquistas no que se refere à situação das mulheres foi reconhecida pelas instâncias intergovernamentais. Porém, ainda as mulheres não gozam plenamente dos seus direitos, sendo que, em diversas áreas, continuam a ser discriminadas.
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Direitos das Mulheres e Violências contra as Mulheres
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Os direitos das mulheres são direitos humanos! Paradoxalmente, esta é a frase mais banal, mas também mais significativa, no que se refere às exigências por uma efectivação dos direitos humanos das mulheres. Hoje, muitas pessoas, homens e mulheres, com particular destaque para a camada jovem de áreas mais urbanas ou de países mais desenvolvidos, facilmente justificam que não são partidárias da celebração do Dia Internacional das Mulheres, assentando sobretudo no reconhecimento internacional dos direitos das mulheres, mas infelizmente a situação real em que ainda vive uma quantidade alarmante de mulheres aponta para a necessidade de manter a bandeira erguida. Desde a IV Conferência sobre as Mulheres (1995, Pequim), os governos assumiram o compromisso de assegurar a igualdade entre os homens e as mulheres em doze áreas estratégicas: mulheres e pobreza; educação e formação profissional das mulheres; saúde das mulheres; violência contra as mulheres; mulheres e conflitos armados; actividade económica e produtiva das mulheres; mulheres no poder e na tomada de decisões; mecanismos institucionais para a igualdade e políticas de mainstreaming; direitos humanos das mulheres; mulheres e os meios de comunicação social; contribuição das mulheres para o desenvolvimento sustentável e a defesa do meio ambiente; protecção das raparigas.
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Porém, enquanto escrevo este post, os direitos das mulheres estão a ser violados nos quatro cantos do mundo. Só a título ilustrativo: nas suas casas, as mulheres continuam a enfrentar o drama da violência doméstica, incluído a sua vertente psicológica e a sexual, com um impacto dramático também nas crianças; no ensino, o abandono escolar em muitos países continua a atingir gravemente a camada feminina, sendo possível até encontrar casos em que as alunas grávidas são convidadas pela instituição de ensino secundário a suspenderem as suas matrículas, prejudicando acentuadamente a sua progressão nos estudos e a sua formação; no mercado de trabalho, as mulheres continuam a ser pior remuneradas em comparação com os seus colegas masculinos, muitas vezes preteridas por causa da possibilidade de ocorrência da gravidez ou da tutela de crianças menores (o desequilíbrio entre a responsabilidade maternal e paternal continua a ser visível, mesmo nas camadas com menores vulnerabilidades económicas, mais instruídas ou mais progressistas, acarretando uma ginástica incomparável por parte das mulheres no sentido da conciliação entre a vida familiar e a vida profissional!); nas suas cidades, as mulheres continuam a ser duplamente vítimas da violência urbana, não raras vezes incluindo o abuso sexual; no poder político, as mulheres continuam a enfrentar um conjunto de obstáculos, de estereótipos e de discriminações, mostrando como ainda custa o pleno exercício da sua cidadania; dentro e além fronteiras, as mulheres continuam a ser traficadas para fins de prostituição, etc. Portanto, ainda o 8 de Março faz todo sentido!

Silhueta desventurada

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Sou a sombra de um corpo que não existe
Sou o choro desesperado
Sou o eco de um grito articulado
Numa garganta sem forças
Sou um ponto no infinito
Silhueta da desventura
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…….Perdida neste espaço
Vagueando...finjo existir
Insistem chamar-me criança
E eu insisto ser
…….A esperança do incerto
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O meu tantã é de outros tempos
A melodia que oiço
É o crepitar de chamas
Confundindo-se com o roncar da fome
E o chão onde piso
É uma ilha de fogo
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A minha nuvem é a fumaça
Da bala disparada
………...Gotas salgadas orvalham
O meu pequeno rosto
Enquanto choro
Na esperança do incerto
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Odete Semedo (natural de Bissau)

«a porta estava trancada»

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“Atrás de portas fechadas e em segredo, as mulheres são sujeitas à violência por parte dos seus companheiros, estão demasiado envergonhadas e receosas para o denunciarem e quando o fazem, raras vezes são levadas a sério.”
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Dina Salústio
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De Santo Antão à Brava, a violência doméstica é uma realidade. As nossas mulheres, flores das ilhas, têm sofrido caladas, mas não raras vezes umas gritam: basta! A violência doméstica é uma questão de interesse público, não apenas privado.
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Se protestamos quando uma cabo-verdiana anónima é espancada, petrificados/as ficamos quando o mesmo acontece com uma outra que nos é mais familiar: uma figura pública. Como é possível?! Infelizmente, tantas outras mulheres da nossa rua, do nosso bairro, da nossa ilha, do nosso país, do nosso continente e do nosso mundo continuam a enfrentar esse flagelo que, se não for considerado um crime público, desencadeando políticas próprias para o combater, certamente persistirá por mais tempo. Ontem foi a Joaninha; hoje a Margarida; amanhã a Rosa... Temos o dever de a denunciar, mas custa acreditar que a violência doméstica não é um problema vivido apenas na terceira pessoa. Eu, sim eu, posso ser a próxima! Também tu que acabaste de ler este post!...
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Um abraço solidário para a Margarida Moreira, jornalista da Televisão de Cabo Verde.

atacada por skinheads em Zurique
















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«A advogada brasileira Paula Oliveira, de 26 anos,
foi atacada em Zurique por um grupo de skinheads […].
Paula estava no terceiro mês de gravidez de gêmeos,
e acabou perdendo os bebês.»

Yolanda Morazzo

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O que sou
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Sou pedra e flor
Ave e pensamento
Riso de criança
Chamas e vulcão
Vento do mar largo
Canto do Poeta
Morte nos ciprestes…
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.............Sou a Voz do Silêncio!...
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Yolanda Morazzo
(Mindelo, 16.12.1928 – Lisboa, 28.01.2009)
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Nasceu na ilha do Porto Grande. Neta do poeta José Lopes da Silva. Portanto, legítima herdeira de Hesperitanas e Jardim das Hespérides. Sonhadora, também...
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Foi uma das poucas vozes poéticas femininas no período anterior à independência de Cabo Verde, deixando uma herança que as novas gerações de mulheres abraçam, confiantes noutros destinos...
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Estudou no antigo Liceu Gil Eanes, tendo prosseguido os seus estudos em Lisboa. Viveu parte da sua vida em Angola, donde regressou após a independência daquele país, permanecendo em Lisboa. Colaborou com várias revistas literárias de Cabo Verde, Angola e Portugal.

Diga: BASTA!!!

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Violência contra as mulheres é intolerável!
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Pincelada: Edith Borges

Vinte Sete

Faço anos. Já sabem que sou escorpião: temperamental, teimosa, possessiva, ciumenta, persistente, determinada, resistente, sensível, calorosa, emotiva, arrojada, misteriosa e sentimental... Promessa seja feita aqui e agora: vou lutar para ser uma pessoa melhor (menos chata!) nas próximas sete décadas!!!... Os anos são para mim, mas o bolo é para quem aparecer cá em casa, uma boa razão para juntar a malta, comemorando a eleição de Barack Obama e recordando Myriam Makeba.

Sra. Ministra!!!

«Só podemos considerar discriminação as medidas que tratam de uma forma diferente situações iguais. Nessa altura, ainda não estava no ministério da Educação, mas como mulher, cidadã e ligada aos Direitos Humanos foi uma questão que sempre me preocupou (...). Desde o primeiro momento essa medida mostrou-se ser uma suspensão temporária, de forma a que a jovem possa ter o seu bebé da melhor forma, sem perder o direito à frequência. Na realidade a aluna grávida que, permanece no sistema de ensino, a maior parte das vezes perde o ano escolar. Portanto, essa medida foi adoptada para proteger a maternidade e a infância e criar condições para que haja igualdade de situação das alunas na sala de aula. Não defendemos que seja o único caminho para combater a gravidez precoce. É somente uma das medidas.» Ver mais aqui.

Infelizmente, desiludida estamos com esta posição da Sra. Ministra Vera Duarte! Em vez disso, uma boa contribuição da Sra. Ministra seria no sentido de facilitar o levantamento de dados sobre a “suspensão temporária de alunas grávidas dos estabelecimentos de ensino secundário” e incentivar o ICIEG (Instituto Cabo‑verdiano para a Igualdade e Equidade de Género) a realizar um estudo sobre a questão, com a finalidade de encontrar uma medida inclusiva e não discriminatória como a que esta em vigor.

Michelle and Barack Obama (II)

…última semana antes da grande terça. Tudo indica que Obama será eleito no dia 4 de Novembro.
Inicia-se assim a contagem decrescente…

«perguntas cafeanas»


João Branco

Uma jovem mulher que mora com um “tio”, toma conta da casa, dá-lhe carinho, amizade, sexo, em troca das propinas da Universidade e de umas roupas na boutique mais in da cidade, entra num sistema de trocas que não difere muito do tipo de relacionamento que existe em tantos casais que vemos por aí, ou é preciso chamar os bois [leia-se “vacas”! --- (este parêntese é da inteira responsabilidade da autora deste blog)] pelos seus nomes?


Eileen

[…] Eu ainda acho que o “tio” que paga as propinas é que sai com lucro do tal relacionamento. Vejamos: já está com mais de cinquenta, tem um bom salário, logo, dinheiro não é problema. Mas! Está só, não sabe tomar conta de si, porque foi casado e era a mulher que lhe fazia a comida, cuidava dos filhos, vigiava a sua própria saúde, dizendo-lhe “não comas isso, não bebas aquilo, vai fazer análises, toma este comprimido”. Separaram-se e o “tio” ficou perdido na vida. Precisa de alguém que lhe passe a roupa e lhe compre os boxers, que lhe diga que o cabelo já levava um corte e que se calhar esse caroço na próstata devia ser visto por um médico; ele ainda dá um bom show entre os amigos e enfeita o jeepão; essa moça faz as compras, cozinha, lava, blá blá blá e isso tudo só custa dinheiro. E dinheiro, ele tem. // Mas vamos ver o lado da nossa estudante. É nova e bonita, podia ter o rapaz novo e fogoso que quisesse. Mas não. Lá está ela com o “tio” gorducho, cabeludo, com um hálito meio podre, a tomar conta dele, provavelmente com pouco respeito por si própria, mas pensado: eu ainda vou ser alguém na vida e dar um futuro diferente aos meus filhos... […]

Doméstica violência, e se eu for a próxima?

«em alguns bairros críticos da Cidade
de São Filipe, 43% das mulheres dizem
que são agredidas
diariamente



doméstica violência…
e se eu for a próxima?

se esta minha pele macia, sumaúma,
agredida for por um…?

se o meu corpo de sereia
manchado ficar com as mãos di nha kretxeu, ki kren txeu?

se na minha face de encantada
o sorriso for travado por lágrimas desesperadas?

e se eu for a próxima?


Voto pela Felicidade!

Sim, sou a favor da união entre pessoas do mesmo sexo! Contra todos os preconceitos e moralismos vazios, devíamos deixar de obstaculizar a felicidade dos gays e das lésbicas! É claro como a água do riacho que «os direitos sexuais são direitos humanos»! (Veja os principais pontos em discussão na terra lusa aqui: Lilás com Gengibre)...

………..

Notícia da hora do almoço --- infelizmente, o projecto de lei do BE (casamento entre homossexuais) foi chumbado! E o PS justificou que «não era o momento certo para fazer alterações à lei em vigor». Conta outra, PS!!! Uma excepção fantástica, a do Manuel Alegre... Um dia desses vou declarar a minha paixão por Manuel Alegre!

tantas interrogações

...um mito?

Numa entrevista ao Jornal de Notícias, Sveva Casati Modignani afirma que «a igualdade entre o homem e a mulher é um mito» (bom, eu acredito que é possível, embora a luta seja árdua, necessitando da colaboração não só das mulheres, como dos homens!). Apesar disso, não posso deixar de aplaudi­r a autora do Feminino Singular quando realça que «actualmente, as mulheres têm dois empregos: fora de casa e dentro dela. Mesmo a vida de uma mulher que se considera insignificante daria por certo um grande romance. Ser educada como mulher, casar-se, constituir família, criar os filhos... É uma tarefa ingrata que só nós podemos fazer. A autoconfiança das mulheres tem que ser elevada. Basta vermos a nossa coragem.»

Ainda agrada-me ouvir que, «no romance Feminino Singular, sobre a maravilha que é a maternidade, conto a história de uma mulher que tem que criar três filhos sem a ajuda de ninguém e, no entanto, sai-se lindamente. Quantos homens poderiam fazer o mesmo que ela faz? As mulheres são seres extraordinários.» Para terminar, a autora não deixa de concluir que, «no campo do trabalho, as mulheres ganham menos do que os homens. Nos postos de liderança, seja nos governos ou multinacionais, as mulheres são quase excluídas (...). As capacidades femininas têm que ser reconhecidas na exacta medida do que já acontece com os homens. O mundo irá funcionar melhor quando os dois sexos forem colocados no mesmo nível.» Belíssima entrevista, e agora fiquei curiosa para ler o referido livro!


Mito sou eu!

«O meu trabalho é feito de afectos», disse Mito Elias ao Expresso das Ilhas, numa entrevista crítica que extravasa a produção artística em Cabo Verde. Gostei da perspectiva crítica! E aproveito para ressaltar três ideias abordadas pelo artista berdiano. Aqui vão elas:
1. «Na nossa Arca de Noé só são permitidos alguns bicharocos.»
2. «Sempre tiveram um porte soslaio com os meus projectos, mas eu tenho uma teoria para isso: como todos os meus projectos têm uma veia descomplexadamente em crioulo, será certamente por aí que se deve procurar as razões.»
3. «Apesar da Internet e das facilidades de comunicação que existem, hoje em dia, as informações são mal processadas, a ponto de termos documentários sobre música que se confundem com teleculinária ou blogocratas que se julgam os faróis da nossa cegueira.»


Blogosfera berdiana

A blogosfera berdiana está a crescer a olhos vistos. Porém, não sei por que razão, tem sido alvo de pequenas duras críticas. O que está a acontecer? O que significa «blogocratas»? Será que temos «blogocratas que se julgam os faróis da nossa cegueira»?

Independentemente das respostas, a blogosfera berdiana está uma maravilha, numa diversidade significativa. Entretanto, toda a humildade é necessária e deve ser a marca dourada de qualquer blog ou blogista, pois os nossos saberes e as nossas experiências são sempre uma pontinha do que existe...

 
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