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A DOR DAS RAÍZES
30.8.07
Eurídice Monteiro

Sem querer
Cantas as tuas raízes
Escondidas entre as rochas
Maltratado pela angústia
Soluças o teu desconforto
Seco de tanto esperar
Protegido pelo muro da academia
Rodopias entre as luzes
Embutidas sobre prismas de escuridão
Mesmo xingando, gritando e fugindo
Para o teu próprio desespero
Palpitas esperança nas montanhas e nos vales
Eurídice
MADRUGADA ADORMECIDA
28.7.07
Eurídice Monteiro
Noite escura
Ondas mansas cantando
Respirando brisa de secura
E a terra escutando
O silêncio da noite silenciosa
De magia amarga
Na varanda ansiosa
Com melodia naufraga
Depois o galo cantou
Anunciando a madrugada
No quintal da vizinha um fumo soltou
E a outra foi à lenha agasalhada
Na madrugada ainda adormecida
O pescador foi ao mar
Com a lua escondida
Atrás da montanha, sem pomar
Eurídice
Ondas mansas cantando
Respirando brisa de secura
E a terra escutando
O silêncio da noite silenciosa
De magia amarga
Na varanda ansiosa
Com melodia naufraga
Depois o galo cantou
Anunciando a madrugada
No quintal da vizinha um fumo soltou
E a outra foi à lenha agasalhada
Na madrugada ainda adormecida
O pescador foi ao mar
Com a lua escondida
Atrás da montanha, sem pomar
Eurídice
ILHAS COM MULHERES
25.7.07
Eurídice Monteiro
Dez grãozinhos de areia dispersos no mar
Unidos pela mesma raiz
Firme da terra ao mar
Regada com o suor e o sangue da antiga cicatriz
O milho semeado brotou esperança
Ergueu-se a flor da nação
Caminhando com perseverança
E traçando rumos além da imaginação
As montanhas ecoam:
--------As minhas ilhas têm mulheres!
Os pardais assobiam:
--------As minhas ilhas têm mulheres!
Escutando o galo cantar
A madrugada anuncia o acordar das mulheres
Percorrendo vales e a lenha catar
Descendo às ribeiras para buscar água, sem dissabores
Embalando no cântico da Cesária
As ondas acompanham o hino das mulheres
Tecendo na trapacearia
O cais sem desembargadores
Recordando Chiquinho
O mar anima as mulheres
Tirando o atum do barquinho
E despachando para outros labores
Vivendo num profundo silêncio
A paisagem natural convida as mulheres
Idealizando um espaço de ócio
E temendo a chegada de eventuais povoadores
Vendo a neve e as montanhas salgadas
O sol enche de doçura as mulheres
Labutando cansadas
Mas espalhando morabeza nas ilhas e arredores
Acalentando com as cordas do violino
O cheirinho da terra acomoda as mulheres
Amassando o barro
E preparando licores
Animando com o nascer do sol
As brisas do mar envolvem as mulheres
Tratando do amarelo do girassol
E cortando peixes para aproveitar as ondas solares
Sacudindo com a força do batuque
As rochas encorajam as mulheres
Caminhando de enxada ao ombro pelo alambique
E voltando para vender peixes trazidos pelos pescadores
Temperando com o calor do vulkon
As lavas aquecem as mulheres
Enchendo o cesto de uva para a produção do Manekon
E do café inventando novos sabores
Contentando com o orvalho da manha
As flores alegram a vida das mulheres
Enchendo toalhas de arco-íris de linha
E recitando as mornas de Eugénio Tavares
Unidos pela mesma raiz
Firme da terra ao mar
Regada com o suor e o sangue da antiga cicatriz
O milho semeado brotou esperança
Ergueu-se a flor da nação
Caminhando com perseverança
E traçando rumos além da imaginação
As montanhas ecoam:
--------As minhas ilhas têm mulheres!
Os pardais assobiam:
--------As minhas ilhas têm mulheres!
Escutando o galo cantar
A madrugada anuncia o acordar das mulheres
Percorrendo vales e a lenha catar
Descendo às ribeiras para buscar água, sem dissabores
Embalando no cântico da Cesária
As ondas acompanham o hino das mulheres
Tecendo na trapacearia
O cais sem desembargadores
Recordando Chiquinho
O mar anima as mulheres
Tirando o atum do barquinho
E despachando para outros labores
Vivendo num profundo silêncio
A paisagem natural convida as mulheres
Idealizando um espaço de ócio
E temendo a chegada de eventuais povoadores
Vendo a neve e as montanhas salgadas
O sol enche de doçura as mulheres
Labutando cansadas
Mas espalhando morabeza nas ilhas e arredores
Acalentando com as cordas do violino
O cheirinho da terra acomoda as mulheres
Amassando o barro
E preparando licores
Animando com o nascer do sol
As brisas do mar envolvem as mulheres
Tratando do amarelo do girassol
E cortando peixes para aproveitar as ondas solares
Sacudindo com a força do batuque
As rochas encorajam as mulheres
Caminhando de enxada ao ombro pelo alambique
E voltando para vender peixes trazidos pelos pescadores
Temperando com o calor do vulkon
As lavas aquecem as mulheres
Enchendo o cesto de uva para a produção do Manekon
E do café inventando novos sabores
Contentando com o orvalho da manha
As flores alegram a vida das mulheres
Enchendo toalhas de arco-íris de linha
E recitando as mornas de Eugénio Tavares
De Santo Antão à Brava:
As minhas ilhas têm mulheres!
Eurídice
NÃO CHORA MAMÃI
25.7.07
Eurídice Monteiro
Com um raio de sol na minha cara
Acordo sem o cheiro do teu café torrado
--------E kuskus di midju-tera
Contento-me com um pão tostado
Ando pelas ruas sem pedregais
Deparo com árvores que não são acácias
Escuto pássaros que não são pardais
Falo com gentes sem carícias
Nesta cidade distante
Não há vendedeiras ambulantes
Tudo é diferente
E abundam os espaços verdejantes
Percorro um jardim com água correndo e saltando
--------Sem encantadas cantadeiras
Com uma nascente brotando
--------Como nas nossas antigas ribeiras
Caminho pela calçada
Passo numa praça
Cansada
Colho flores de esperança
Descendo sossegada
Com a minha sandália de cabedal
Passo por um mercado onde as peixeiras vendem dobrada
Sem avental
As minhas pernas transpiram
A minha boca sente sede
O meu corpo todo e a minha alma suspiram
Mas a água sem o sabor de terra não sacia a minha sede
O sol deste Domingo está tão seco como o nosso
Quente e enfadonho
Para me refrescar lambo um glace delicioso
E sossegada vejo o Mondego como a baia do Porto
Eurídice
Acordo sem o cheiro do teu café torrado
--------E kuskus di midju-tera
Contento-me com um pão tostado
Ando pelas ruas sem pedregais
Deparo com árvores que não são acácias
Escuto pássaros que não são pardais
Falo com gentes sem carícias
Nesta cidade distante
Não há vendedeiras ambulantes
Tudo é diferente
E abundam os espaços verdejantes
Percorro um jardim com água correndo e saltando
--------Sem encantadas cantadeiras
Com uma nascente brotando
--------Como nas nossas antigas ribeiras
Caminho pela calçada
Passo numa praça
Cansada
Colho flores de esperança
Descendo sossegada
Com a minha sandália de cabedal
Passo por um mercado onde as peixeiras vendem dobrada
Sem avental
As minhas pernas transpiram
A minha boca sente sede
O meu corpo todo e a minha alma suspiram
Mas a água sem o sabor de terra não sacia a minha sede
O sol deste Domingo está tão seco como o nosso
Quente e enfadonho
Para me refrescar lambo um glace delicioso
E sossegada vejo o Mondego como a baia do Porto
Eurídice

