Barack Obama

Barack Obama acabou de conquistar a sua nomeação como candidato democrata para as próximas eleições presidências norte-americanas. Como escrevi no passado dia 5 de Fevereiro, “enquanto uma mulher negra, com um interesse especial pelas questões políticas e, em particular, pela participação política feminina (…), se tivesse o direito de voto nas primárias democratas, o meu voto seria nulo, porque não seria capaz de votar contra a Hillary e nem seria capaz de votar contar o emocionante apelo de Barack Obama”.

Por um lado, foi com uma enorme tristeza que acompanhei minuto a minuto a fragilização da possibilidade da Hillary vencer essas primárias. A derrota da Hillary merece uma análise que extravasa o estrito campo de poder político e o contexto norte-americano. Trata-se de uma questão que merece uma análise a nível global e em diferentes sectores. A actuação da Hillary e do movimento das mulheres também merecem ser analisadas. Talvez no Women's World 2008!

Por outro lado, sinto uma profunda emoção com a revitalização de uma luta histórica. Não posso deixar de felicitar o Obama, por acreditar num sonho. Sim, hoje, também o sonho de que um outro mundo é possível parece mais palpável com esta nomeação do Obama. Trata-se de uma vitória mais do que merecida, uma vitória necessária. Vale a pena acreditar! E agora é a hora de iniciarmos uma correnteza firme a favor da eleição do Obama e contra o racismo ainda presente nas nossas sociedades (vejam a análise do Noam Chomsky).

I have a dream”!...

Calheta, o meu porto de abrigo...

Monólogos com a minh’aldeia

I
Calheta,
Ao longe,
Sobre os montes,
A cruz da tua capela avisto.
Em meu coração alçada ergue-se a cruz
E com ela tu também.
Invade-me
- sob a concha da infância –
Uma saudade imensa, que me torna imenso.
...
Vêm a meu alado encontro
As aves da minh’aldeia.
A meu encontro vêm.
São tão belas quanto tão belas são!
E quando partem quais os olhos que
Não vêem os horizontes que a meu encontro vêm?
...
Pequena baía do meu coração qu’em ave s’abre,
Sonho de carmesim destes montes à tardinha,
Pátria superna de toda a saudade auroral,
Deusa da minha infância sempre idêntica,
Calheta de mar bucólico até à espuma,
De lua docemente infante na noute
E de céu com saudade de um ninho cá em terra.


II
A casa da minha infância dá para um mar
Que não quer dar para os horizontes
Mas sòmente para as casas da minh’aldeia.

A casa da minha infância tinha um belo quintal,
Um belo quintal bem mais bonito
De que todo o quarto de menino de cidade,
Onde eu brincava sumamente feliz,
Discretamente eterno, com a minha infância.
Lembro-me – disso sempre me lembrarei –
Que se escondia, tão esperta,
De mim a minha infância, pelas gretas da parede.

Meu Deus do Céu, sob a sombra desta mesm’árvore,
Deixai‑me brincar – novamente –
Um só momento com a minha infância.

Vadinho Velhinho


…o prazer de estar em casa.

No meu porto, encontro a paz como em nenhum outro lugar. Em cada esquina, um sorriso me espreita, uma mensagem me faz mergulhar na baía da minha infância. A noite é mágica, nasce e desvanece sorrateiramente. Aqui, as estrelas jogam às escondidas entre os montes. A Lua é uma parte de mim...

Santiago

Quando cheguei à capital cabo-verdiana, estava a decorrer uma conferência internacional na Reitoria da Universidade de Cabo Verde, espalhando um forte cheiro da academia pela cidade. Para além do pessoal da casa, o José Carlos dos Anjos estava na capital, com uma equipa de investigador@s brasileir@s. Eu e o Gabriel Fernandes fomos ter com a malta para um brinde e conversas afins. Do outro lado da linha, o Odair Varela preparava‑se para uma viagem à capital senegalesa. No meu caso, também tinha que dormir cedo, porque, às seis horas da matina, tinha que apanhar um avião para a ilha do Porto Grande. Foi ainda na Praia que assisti o arranque oficial das campanhas eleitorais, marcado pelas marchas do Filú e do Ulisses...

Quando regressei das ilhas do Norte, nomeadamente Santo Antão e São Vicente, iniciei uma marcha contra o tempo. Por isso, apenas visitei cinco concelhos da ilha maior: Praia, Santa Catarina, Tarrafal, São Domingos e São Miguel. No ambiente flutuante das campanhas eleitorais, estive a remar sucessivamente contra o acelerar das horas. Mas nem por isso deixei de acumular o meu stock de risadas. Também fiz questão de saudar @s amig@s/conhecid@s que se encontravam envolvid@s no festival eleitoral (Milton Paiva em São Domingos; Victor Semedo nos Picos; Moisés Borges no Tarrafal; Paula Vaz, Graça e Francisco na Praia; kaka Barbosa em Santa Catarina; @s candidat@s de São Miguel, etc.). Também, sem grande espanto, apercebi-me de que a minha geração já se despertou para a política activa.

Em cada concelho por onde passei registei momentos de maior cumplicidade. Em São Domingos, aplaudi a subida do Milton Paiva ao palanque. Em Santa Catarina, estive com o Marco, o Evando e a Janine. E vi o kaka Barbosa a preparar o último comício do PAICV que contou com a presença do JMN. Gostei da prosa com o feiticeiro Barbosa, insatisfeito com o estado das coisas na sua cidade natal. Em São Miguel, aproveitei para conhecer melhor o meu concelho, as suas gentes e as dificuldades que espreitam atrás das portas. No Tarrafal, congratulei a candidatura do Moisés Borges, o mais jovem cabeça de lista para a Câmara Municipal apresentado nessas autárquicas. Na Praia, foi com satisfação que participei na “Emissão Especial TCV, Autárquicas 2008”: no primeiro painel, juntamente com Sidónio Monteiro (representante do PAICV), Miguel Sousa (representante do MpD) e Jorge Carlos Fonseca (Analista Político); no segundo painel, juntamente com Rui Semedo (representante do PAICV), Lourenço Lopes (representante do MpD) e Jorge Carlos Fonseca (Analista Político). A moderação esteve a cargo do jornalista Waldemar Pirei, sob a coordenação da jornalista Adelina Brito e sob a direcção da jornalista Margarida Fontes.


Blogosfera

Ainda gostei de ter cruzado com o Abraão Vicente e o Djinho Barbosa, caminhando até ao esconderijo da turma “Raiz de Polon”; de ter escutado as palavras do Mário Fonseca aquando do debate sobre Aimé Cesaire lá na agora animada Fundação Amílcar Cabral, onde o Tide tem desempenhado um papel central na dinamização do espaço; de ter reencontrado o Paulino, o Filinto, a Guida e a Margarida Fontes; de ter conhecido muita malta da blogosfera (Miguel Barbosa, César, Mário Almeida, kaka Barbosa e Baluka Brazão).

São Vicente

A ilha estava muito movimentada, com a máquina da campanha a fazer sentir nas ruas da cidade. Nos primeiros dias da minha estadia, havia um sol sedutor dos mergulhos. Já na recta final, a ventania quebrava o sossego da praça.

Apesar da ventania dos últimos dias, trouxe boas recordações da ilha. Para começar, passei o primeiro de Maio com a Eileen, uma boa prosadora. Foi um dia para mais tarde recordar. Gostei de descobrir que a Eileen preocupa com o ambiente, tendo uma postura ecológica. Entre tantos outros gestos a favor do nosso planeta, a Eileen reutiliza a água e usa energia eléctrica de forma racional. Também gostei dos passeios pela cidade, a sensação de sentir a pulsação da cidade... No final do dia, um “café margoso” com o João Branco, acompanhando as risadas e os delírios no cambar da noite.

No Café Mindelo, a Roselma apresentou-me o Olavo, que me levou ao antigo Liceu Gil Eanes para dialogar com a malta dos anos trinta. Depois da pesquisa diária, reencontrar com o Olavo e com a poesia tornou-se num hábito delicioso. Também adorei os passeios pela cidade na companhia da Irina Camões e do Artur Jorge... Assim, fiquei a conhecer um pouco melhor a encantadora cidade do Mindelo.

Santo Antão

Com a minha mochila às costas, apanhei um barco para a ilha das montanhas. Nessa viagem, que demorou quase nada, coloquei-me na pele das “Lobas do Mar”. Sentia os meus pés a caminharem em cima das águas salgadas, em perfeita sintonia com os seres do mar. Quando cheguei à cidade do Porto Novo, o sol do meio‑dia ainda não se fazia sentir.

Segui viagem para a vila da Ribeira Grande. Aproveitei para conhecer a Ribeira da Torre, vale da minha colega Elia Monteiro. Fui visitar o cutelo do Paulino Dias, caminhando assim pelo vale e pelas encostas até Fajã Domingas Bentas. A teimosia me levou a calcorrear pela montanha, passando pelo Marrador em direcção ao quase topo da montanha. Bom, no fim da viagem, o mano do Paulino Dias disse‑me: “mais duas vezes, habilitas a ganhar qualquer maratona lá na Praia”.

Na manhã seguinte, segui para o vale do Paul. Nho João de Mari’Guida mostrou-me a fornadja, onde a cana‑de‑açúcar é transformada no conhecido Grogue de Santo Antão. Avistei Pedra das Moças, mas já não tinha pernas para desafiar o declive.

Dias depois, regressei para o Porto Novo. Mesmo com um sol de rachar pedras, não resisti a percorrer pelo centro da cidade. Depois de ter completado o meu plano de trabalho e de ter saciado as minhas curiosidades turísticas, seguir para a ilha do Porto Grande. Dessa vez, o mar portou-se mal, muito mal. A ventania e os valentes solavancos estiveram presentes durante toda a viagem.

Campanhas Eleitorais

Em Cabo Verde, os períodos eleitorais são marcados por muita festa, envolvendo a tensão que acompanha os actos eleitorais. Apesar de alguns indicadores que pouco dignificam a qualidade da democracia nas ilhas e de alguns incidentes aqui e acolá, não é nunca demais realçar o “bom comportamento” dos sujeitos políticos e do povo, nomeadamente durante os dias quentes das campanhas eleitorais. Quem está fora do jogo político, vive os períodos eleitorais com maior descontracção e aproveita para melhorar o seu stock de risadas. No meu caso, para além da recolha empírica, aproveito os períodos eleitorais para visitar as ilhas e conhecer outras gentes. Nestas eleições autárquicas, embora por pouco tempo, tive a oportunidade de visitar as ilhas de Santo Antão, São Vicente e Santiago. Aproveitei para saudar @s velh@s amig@s e fazer nov@s amig@s.


Frase do dia... da semana ... do ano... do século...

«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.» - Eça de Queiroz.

Maria Dionísia: uma mulher das letras

É com pesar que, através do a semana online, soube da morte de Maria Dionísia Velhinho Rodrigues, conhecida por D. Bia. Esta mulher das letras, natural de Calheta São Miguel, morreu ontem, aos 85 anos de idade. Um dia antes de deixar este mundo, imagino que pela sua felicidade, D. Bia assistiu ao lançamento do quinto livro do seu filho Vadinho Velhinho.

A forma mais nobre que tenho para homenagear esta primeira mulher das letras de boka‑portu é ler a sua obra. Por isso, aguardo ansiosamente pela publicação do seu livro, que, como fiquei a saber, regista também um pedaço da memória boka-portuense. Acredito que vou gostar de ler os seus registos sobre a vivência na Calheta, naquele tempo em que o mar banhou o Porto.

Aimé Cesaire

Ainda ontem, eu e o Fabrice, falávamos sobre Aimé Cesaire. Este poeta e político da Martinica foi um dos fundadores do movimento da negritude, surgido, na década de trinta, entre os estudantes negros que se encontravam a frequentar o ensino superior em Paris.

É de realçar que, antes, mais precisamente no ano de 1932, tinha sido apresentada, por um grupo de estudantes da Martinica em Paris, o manifesto Légitime Défense, que propunha uma ideologia de revolta e formulava uma orientação precisa para os escritores negros de “expressão francesa”. O movimento da negritude – impulsionado sobretudo por Aimé Césaire e pelos senegalenses Léopold Sédar Senghor e Alioune Diop – reclamava a necessidade e o dever de @s intelectuais african@s afirmarem e defenderem a sua cultura. Nessa altura, diversas manifestações já tinham ocorrido no sentido da afirmação da cultura negra, com o objectivo de a libertar da categoria de subproduto a que a cultura ocidental a havia relegado. Por essa altura, também tinha surgido um verdadeiro movimento para a revelação dos valores humanos, sociais, literários e artísticos d@s negr@s.

Aimé Cesaire nasceu a 26 de Junho de 1913. Aos 18 anos, deslocou para Paris, com a finalidade de prosseguir os seus estudos. Aos 26 anos de idade, regressou ao seu país natal para dar aulas. Aimé Cesaire, que já estava em cima dos seus 94 anos de idade, encontrava-se hospitalizado devido a problemas cardíacos. Nesta quinta-feira, 17 de Abril, infelizmente, não resistiu a mais um solavanco da vida... Na sua obra, não posso deixar de destacar Cahier d'un Retour au Pays Natal (Poesia, publicada 1939) e Discours sur le Colonialisme (Ensaio, publicado em 1955).

Vadinho, o poeta de boka-portu

Cresci na baía do porto a ouvir rumores sobre um poeta nascido no sobrado rodriguenho. Entre as minhas fantasias infanto-juvenis e as minhas viagens pelo silêncio da noite, extasiava-me o facto de ter um poeta na minha pacata aldeia à beira-mar.

Por isso, foi com tamanha emoção que tomei conhecimento do lançamento, nesta quinta-feira, 17 de Abril, pelas 18:15mn, no restaurante-bar O Poeta, do quinto livro de Vadinho Velhinho, intitulado Tenho o Infinito Trancado em Casa. A apresentação estará a cargo de José Maria Neves e de Jorge Carlos Fonseca. Este poeta que partilha com o grande público o infinito, também é autor de O Túmulo da Fénix (2003), No Ponto de Rebuçados (2001), Adeus Loucura, Adeus (1997) e Relâmpagos em Terra (1995).

Pensando na recuperação do poeta de uma maldita febre que o abalou nos últimos dias e desejando para que logo mais se reencontre com o seu humor afinado, deixo aqui o rascunho de um poema que rabisquei, depois de ter lido Relâmpagos em Terra, especialmente para este meu poeta de boka-portu. Juntamente com os versos, reencaminho um forte abraço da família boka-portuense para o menino Vadinho e para a sua família na cidade grande.


desejo uma noite insone


rodeada pela baia nua,
espreitada pelas estrelas,
acariciada pela lua...

uma noite de insónia
é o meu desejo:
............para acomodar as ondas da baia
............e escutar o silêncio em cortejo.

a areia negra da baia
projecta o menino no sobrado rodriguenho,
poetizando a imensidão do mar, com euforia.

da varanda
receio ausentar,
pois a mamai velha, mesmo dormida,
exalta a ressonar.

Eurídice

El Nuevo Gobierno

Nos últimos anos, a Espanha tem vindo a apresentar uma atitude política favorável à integração de mais mulheres na política. Desta vez, a grande novidade prende-se com el nuevo gobierno de Zapatero, constituído por 9 ministras e 8 ministros, tendo assim uma maioria feminina entre os nomeados pelo chefe de governo espanhol. Assim sendo, contabilizando a cabeça de Zapatero, el nuevo gobierno apresenta igual número de homens e de mulheres. Para além deste indicador nunca dantes registado na história de Espanha, pela primeira vez, uma mulher ocupa a pasta da Defesa. A imagem de Carme Chacón (grávida de sete meses), enquanto Ministra de Defensa na sua primeira visita às tropas espanholas, não passou despercebida aos olhos do mundo. Uma outra novidade trata-se do Ministério da Igualdade, ocupado por uma jovem de 31 anos de idade.

Este facto acontece num ano em que Madrid prepara para receber o 10º Congreso Internacional Interdisciplinar sobre las Mujeres (Mundos de Mujeres/ Women's Worlds), que conta com mais de 3000 propostas de comunicação. Este encontro vai reunir as mais prestigiadas intelectuais e activistas feministas do nosso tempo, sendo um impulso para as mais jovens que acreditam num mundo de partilha e complementaridade entre os homens e as mulheres.

Assim sendo, entre muitas outras razões, a composição do nuevo gobierno de Zapatero me alegra por ser a área do meu interesse de investigação, mas também porque estarei em Madrid durante o Women's Worlds 2008, onde aproveitarei para observar mais de perto a contribuição de Espanha para a redefinição da democracia.

Parabéns, Mayra!!!


É sempre com muita alegria que recebo as novas sobre a jovem artista Mayra Andrade... Ontem, numa cerimónia em Londres, a cantora cabo-verdiana de apenas 22 anos de idade, através do seu álbum Navega, foi galardoada com o Prémio BBC Rádio 3 World Music, na categoria Artista Revelação do Ano. Sem dúvida nenhuma, trata-se de mais um reconhecimento pelo talento e pela dedicação da artista. Parabéns, Mayra Andrade!...

Odai Grandi


Parabéns, nha manu di Coimbra!

Odair, queria estar por perto para te parabenizar pelos teus anos. Como o mar nos separa, daqui desta cidade adormecida, mando-te um grande abraço e desejo-te um pacote de coisas boas: saúde, sossego, cordialidade, sorrisos, fantasias, música, poesia e amor. E ainda a continuação de uma boa pesquisa empírica (!)...

ilhas
























penetraram através da ilha maior.
com artificies sagrados, minaram a terra.
depositaram sementes, que deram frutos.

Eurídice

Imagem:
Sandro Brito

Global Voices

Acordei com uma dor de cabeça terrível. Ao entrar no meu blog, verifiquei uma grande surpresa: o post que escrevi por ocasião do dia das mulheres cabo-verdianas teve ecos que desconheço a proporção. Partilho convosco esta alegria de ver uma citação sobre as mulheres cabo-verdianas no Global Voices.


Cape Verde: Woman's day

The point is that we try to understand the current situation and demand that, regardless of gender, people are treated with respect and have the necessary means to live with dignity.” - Língua Inglesa (trata-se de uma língua europeia, que tem vindo a ganhar terreno a nível mundial).

O que importa é tentarmos compreender a situação actual e exigir que, independentemente do sexo, as pessoas sejam tratadas com respeito e tenham as condições necessárias para viverem com dignidade.” - Língua Portuguesa (trata-se de uma língua europeia, exportada para as antigas colónias africanas, nomeadamente para Cabo Verde).

Ny zava-dehibe ankehitriny dia ny fiezahanay mamantatra izay toe-java misy sy ny fitatakianay, tsy misy fanavakavahana izay filahiany na fivaviany, ny hanajana ny zon'ny tsirairay sy ny mba hananany izay ilainy mba hiainany amin-kaja.” - Malagasy ou Malgaxe (trata-se de uma língua africana, do povo de Madagáscar).


Também chegou ao Japão (31/03/2008)

。「重要なのは、私たちが現状を理解しようとすることと、ジェンダーに関係なく、人びとが尊敬をもって扱われ、尊厳をもって生きるのに必要な手段を持つことだ。」- Língua Japonesa (trata-se de uma língua asiática, do povo de Japão).


……................................

(07/03/2008)

Aproveito para reagradecer a tod@s que contribuíram para espalhar essas breves linhas banais: Mpandika Tomavana, Hanako Tokita e Paula Góes. Não sei quem são, mas acho interessante a forma como vasculham a blogosfera!

Paula Góes, a dor de cabeça já passou…

P.S.: pela primeira vez, através de um simples post, senti vontade de abraçar os quatro continentes (África-América-Ásia-Europa). Então, aqui vai:

Um forte abraço

Mulheres Cabo-Verdianas

Sema Lopi

bu pari matcho, bu pari cordon
bu pari femia, bu pari labada
bu pari matcho, bu ba sirbi rei
bo qui pari femia, bu ba sirbi mundo


(música popular)


Hoje, Dia das Mulheres Cabo-Verdianas, na minha visita matinal pelo mundo da informação, tropecei-me numa nota acerca de uma sondagem aos/às leitor@s do asemana-online, onde os resultados apontam alguma reserva quanto à real emancipação das mulheres cabo-verdianas, sendo que apenas 22% considera que, no meu país, existe uma igualdade entre os sexos.

Aqui, já escrevi dois posts específicos sobre a situação das mulheres cabo-verdianas: Violências contra as Mulheres e Direitos Humanos das Mulheres. Acima de tudo, a minha preocupação é com a dignidade humana das mulheres (e também dos homens). Porém, sabemos que existem ainda inúmeras barreiras que entravam uma verdadeira emancipação das mulheres das ilhas. Não vele a pena atirarmos a culpa para as próprias mulheres ou para os homens. O que importa é tentarmos compreender a situação actual e exigir que, independentemente do sexo, as pessoas sejam tratadas com respeito e tenham as condições necessárias para viverem com dignidade.

Claro, fico furiosa quando vejo que a minha geração continua ainda a praticar actos que tão pouco merecem ser referidos aqui, na medida em que ilustram a grande resistência quanto à igualdade entre os homens e as mulheres. Infelizmente, temos ainda que insistir na luta para a promoção e protecção das mulheres. Claro, fico triste quando as mulheres são vistas como meras vítimas, frágeis e coitadinhas. É preciso uma outra postura em relação a essa problemática.

Não me venham dizer que as mulheres tendem a ser machistas sem mais! É preciso questionar. Sem dúvida que muitas mulheres continuam ainda a assumir essa posição, porque acreditam que para se triunfarem precisam pautar as suas acções de acordo com um ideal, sendo que este ideal assemelha muito a posicionamentos masculinos... Para o bem-estar da nossa nação secular, temos que lutar por uma cultura que respeita a igualdade na diferença e não humilhar/maltratar as mulheres do nosso país!...

Neste mês de Março, sem ignorar as demais instituições, aproveito para parabenizar: a OMCV, pelo trabalho que tem vindo a realizar, desde a sua fundação oficial a 27 de Março de 1981; a MORABI, pela contribuição, desde a sua criação a 28 de Março de 1992, sobretudo a nível financeiro, nesta luta pela melhoria da situação de muitas famílias e, especialmente, de muitas mulheres cabo-verdianas.

As minhas escolhas

Antes de tudo, o meu agradecimento ao Pedrabika por ter incluído “Igualdade na Diferença” na sua lista, ao lado do Djaroz.

Para dar continuidade a esta onda, que começou no Café Margoso, entre tantos blogs berdianos de que gosto, mas evitando o efeito repetição, aponto o meu dedo para dois super deliciosos: o primeiro, pelo verde e pela amizade, que começou na blogosfera e fortificou lá fora, no espaço real; o segundo, pelos seus belíssimos poemas, que me contagiam sempre que o acaso, quase habitual, me leva a aportar por aquelas bandas.


Blog d'kel Bom: Blog do Paulino e Soncent.

...a problemática do acesso à água potável

Afroinsularidade


Deixaram nas ilhas um legado
de híbridas palavras e tétricas plantações

engenhos enferrujados proas sem alento
nomes sonoros aristocráticos
e a lenda de um naufrágio nas Sete Pedras

Aqui aportaram vindos do Norte
por mandato ou acaso ao serviço do seu rei:
navegadores e piratas
negreiros ladrões contrabandistas
simples homens
rebeldes proscritos também
e infantes judeus
tão tenros que feneceram
como espigas queimadas

Nas naus trouxeram
bússolas quinquilharias sementes
plantas experimentais amarguras atrozes
um padrão de pedra pálido como o trigo
e outras cargas sem sonhos nem raízes
porque toda a ilha era um porto e uma estrada
sem regresso
todas as mãos eram negras forquilhas e enxadas

E nas roças ficaram pegadas vivas
como cicatrizes, cada cafeeiro respira agora um
escravo morto.

E nas ilhas ficaram
incisivas arrogantes estátuas nas esquinas
cento e tal igrejas e capelas
para mil quilómetros quadrados
e o insurrecto sincretismo dos paços natalícios.
E ficou a cadência palaciana da ússua
o aroma do alho e do zêtê d'óchi
no tempi e na ubaga téla
e no calulu o louro misturado ao óleo de palma
e o perfume do alecrim
e do mlajincon nos quintais dos luchans

E aos relógios insulares se fundiram
os espectros, ferramentas do império
numa estrutura de ambíguas claridades
e seculares condimentos
santos padroeiros e fortalezas derrubadas
vinhos baratos e auroras partilhadas

Às vezes penso em suas lívidas ossadas
Seus cabelos podres na orla do mar
aqui, neste fragmento de África
onde, virado para Sul,
um verbo amanhece alto
como uma dolorosa bandeira.

Conceição Lima (São Tomé e Príncipe)

máquina de costura


Ainda ontem, pensei em comprar uma máquina de costura, muito catita. Lembrei-me de que a minha avó tinha uma máquina de costura cheia de ferrugem, que apenas ocupava espaço lá em casa. Foi naquela máquina que a minha mãe e as minhas tias aprenderam a remendar. Num passo geracional, aquela máquina deixou de ter utilidade. Eu não aprendi a coser, não fui induzida a inscrever nos cursos de corte e costura na casa das irmãs-de-caridade... Não faço ideia onde é que aquela máquina anda, mas recordo de que era parecida com esta que acabei de encontrar na Internet.

treze contos em duas noites

Waldir Araújo, quando te conheci, aqui neste espaço que denominaste por “mar de desabafos”, percebi pelas tuas primeiras palavras a poesia que existe na tua alma. Ao procurar saber mais sobre ti, através do Rio Geba, descobri a tua música poética, embrulhada em estórias da tua Guiné-Bissau. Desde o primeiro momento, fiquei fascinada pela simplicidade dos teus gestos e das tuas palavras.

Ao marinar no teu livro, Admirável, sucumbi e fui devorada pelos treze contos em duas noites. Apetecia-me dizer sim que os teus contos são “esteiras suaves e boas de adormecer, onde a verdade das coisas nos atrai por não ser tão real quanto a verdade do que foi escrito porque foi sonhado” (usando as palavras ditas pelo Ondjaki no prefácio).

Esta semana, andei atarantada atrás do carteiro, que tardou a chegar. Pensei no Mimito Adão, “o escritor ambulante”. Talvez fosse a pessoa mais indicada para me ajudar a escrever meia dúzia de linhas sobre os teus contos, mas suponho que Mimito Adão anda mais é fascinado com os beijos na boca da Mina Sandi. Enquanto esperava sofregamente pela chegada de uma mensagem das Tágides, imaginava as andanças do Admirável Diamante Bruto, as discussões das mulheres da ilha de Etionkó, a nova vida do Carlos Nhambréne, o sorriso do pobre pai natal, as mortíferas flores do Rachid Ismael, o desgosto da Sara... Porém, faltam-me ainda palavras para te transmitir o meu tamanho deleite ao beber desta tua primeira poção mágica. Antes de terminar esta minha pequena nota, deixo cair uma migalhinha do conto que mais gostei:


O dia do amor-próprio

“(...) Naquela reunião de mulheres, as verdadeiras chefes desta ilha de Etionkó, no arquipélago dos Bijagós, discutia-se a atitude de Ernesto Nanqui, que foi encontrado, alcoolizado, a tentar mutilar o seu pénis como protesto pelo desprezo a que a sua mulher o tinha votado nos últimos tempos (...).”

...…………………………

Apresentação em Lisboa

Nesta sexta-feira, 14 de Março, pelas 18:30mn, na Casa Fernando Pessoa, será apresentado em Lisboa o primeiro livro do jornalista e escritor Waldir Araújo, intitulado Admirável Diamante Bruto e Outros Contos, sendo que a apresentação estará a cargo do jornalista e poeta Toni Tcheka. A primeira apresentação pública deste livro decorreu no dia 12 de Fevereiro, na Póvoa do Varzim, no âmbito das Correntes d’Escrita.

...para que serve o dia 8 de Março?


Este ano, tirei a tarde do dia 8 de Março para mim. Aproveitei para fazer coisas de que quase já não me lembrava do seu sabor. Gostei de ter lembrado de mim mesma!

Alguma vez já pensaram no significado do dia 8 de Março, na sua história?

Será que é uma data apenas para as mulheres receberem mais flores, palavras bonitas especialmente desenhadas para esse dia, telefonemas de pessoas amigas e amigas da luta por uma maior inclusão da camada feminina nas nossas sociedades...?

batuque... apenas um ensaio

Maria Miranda

O mês de Fevereiro de 2008 ceifou a vida de uma das mulheres mais antigas da Calheta. Maria Miranda foi uma figura proeminente do seu tempo. Vivia em Cutelo Miranda, donde provinha o seu nome de família. Cutelo sempre pertenceu por nascença à família Miranda, que cresceu ao longo do tempo, tendo padecido de fome durante os maus anos agrícolas, como o resto da minha aldeia piscatória.

A pequena casa de Maria Miranda, feita de pedra e de barro, fica localizada entre a casa de Txabinhu e Maria d’Txabinhu e a casa de Totó e Lourdes d’Totó, lá no topo habitável de Cutelo Miranda. Conhecida pelas suas mãos angelicais, que traziam ao mundo as crianças da Calheta, Maria Miranda ganhou o título de “Parteira do Povo”, cunhada pela belíssima jornalista Aidé Carvalho. Esta mulher respeitada pelos seus dotes medicinais, sobretudo no que se respeita à obstetrícia, era proprietária de uma pequeníssima mercearia, ao lado da loja de Nho Nuna e Nha Diminga. Com a sua balança de quilo certo, Maria Miranda mercava a banana verde para o kaldu pexi boka-portuense, muitas vezes sem o esperado peixe.

Lingua Maternu

Oji, dia 21 di Febreru, e Dia Internasional di Lingua Maternu.

UNESCO ta difende ma: “Kes serka di 6000 lingua di mundu ta ser glorifikadu na Dia Internasional di Lingua Maternu, dia pa prumove diversidadi linguistiku i ensinu multilingi.”

Sekretariu-Jeral di UNESCO, Koïxiro Matsuura, ta difende ma: “lingua e mutu mas ki un instrumentu, konsideravelmenti mas ki un feramenta. Pa organiza nos pensamentus, stabelese rilasons sosial i konstrui nos rilason ku meiu envolventi, lingua e karateristika fundamental di un ser umanu. E ku i atraves di lingua ki nu ta vive.

Di prinsipiu ti fin di nos bida, di jerason pa jerason, lingua ta kunpanha-nu, ta sirbi-nu, ta kria-nu. Lingua sta na sentru di vida familiar, di trabadju, skola, pulitika, media, justisa i investigason sientifiku. Lingua sta na bazi di relijion, tanbe.

Pabia di kel la, uzu di lingua ka pode odjadu sima un prublema tekniku, mas sin soluson pa un monti di prublemas inpurtanti. Posibilidadi di uza o proibison di uza un lingua publikamenti (sima na skola, media o internet) ta dipende di identidadi, patriotismu o puder.

Sienti des aspetus, Konferensia Jeral di UNESCO disidi, na mes di Novenbru di 1999, kria Dia Internasional di Lingua Maternu, dia pa dibatis i sensibilizason. Desdi kel data priokupason ku kistons di lingua ten stadu ta aumenta manenti.”

Sekretariu-Jeral di UNESCO ta difende inda ma: “linguas ten inpurtansia di me di sisu pa konsigi kes 6 objetivu di Edukason pa Tudu Algen i pa objetivus di Dizenvolvimentu di Mileniu ki Nasons Unidu difini na anu 2000. Linguas ten inpurtansia si nu kre prumovi diversidadi kultural, luta kontra analfabetismu, garanti un ensinu di kualidadi – ki ta iziji nxina na lingua maternu na kes primeru anu di skola. Linguas ten inpurtansia na garanti maior inkluzon sosial, pa maior susesu kultural, pa dizenvolvimentu ikunomiku i pa prizervason di sabedoria popular.”

Skodjedu es dia (21 di Febreru) pamodi nes data, na 1952, na enton Pakiston-Lesti (oji Bangladex), gentis faze manifestason na rua pa iziji ofisializason di ses lingua maternu (Bangla) onbru onbru ku kel ki dja era ofisial – Urdu. Urdu era papiadu esensialmenti na Pakiston-Osidental. Pulisia da gentis tiru ti more kantu.

Enkuantu gentis di Bangladex, antis ten 6 anu dipos di ses indipendensia, da sangi pa ofisializason di ses lingua maternu, anos li nu sta inda prezu na amaras di mentalidadi skravu, dipos di 32 anu di suberania.

Nes anu ki Asenbleia Jeral di ONU pruklama “Anu Internasional di Linguas” i pabia (sima slogan di UNESCO – koordenador des disizon di ONU – ta fla) “linguas ten inpurtansia”, pelu menus pa Guvernu publika un planu ki ta mostra modi i na ki prazu el ta pensa kunpri ordi Konstitusional pa ofisializa nos lingua maternu – Artigu 9º, numeru 2. Pelu menus!

Marsianu nha Ida padri Nikulau Ferera

Ritos de Passagem

«Ritos de Passagem é o primeiro livro de Ana Paula Tavares, cuja primeira edição ocorreu em Angola, em 1985, e que surge agora numa nova edição da Caminho, enriquecida por ilustrações de Luandino Vieira: um escritor que “lê” a poesia de Ana Paula Tavares através de manchas de café e tinta-da-china.

Neste livro percebem-se já a coragem, a vontade e a sensibilidade da autora para o árduo trabalho da palavra em poesia. O início de um caminho que está longe de terminar.» A apresentação decorre, hoje, pelas 18h, em Lisboa.

Aproveito para saudar a Ana Paula Tavares pelo “Prémio Nacional de Cultura e Artes 2007”, na Categoria Literatura, atribuído em Angola, o seu país natal.

Palavras

Joana Lopes arrastou-me numa correnteza para o oceano do alfabeto português. Após escarafunchar o meu Diário, seleccionei as doze palavras mais fofinhas “nesta língua lusa, que mal entendo”:

aurora
faísca
bagaço
bruma
espuma
catita
suculenta
podridão
malvada
salgado (salgar, salgando)
labuta (labutar, labutando)
matuta (matutar, matutando)

Gostei de rebolar nas palavras! E agora convoco para esta dança tagarelada: Margoso (Mindelo), parabenizando pelos 15 anos de muita merda nas ilhas e arredores; Cuscavel (Porto), imaginando as novidades desta caçadora de palavras; A Cidade das Mulheres (Lisboa), querendo saber se existe um dicionário de mulheres; Alex! (Rio de Janeiro), pensando nas novíssimas descobertas deste menino aventureiro; Dominus (Belo Horizonte), bebendo a arte da escrita; feiticeiro Barbosa (Praia), chamando pelas palavras com sabor de antigamente.

 
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