Ingrid Betancourt


o sabor da liberdade

mais mulheres no Governo... que mulheres e que significado?


Dr. José Maria Neves - Primeiro Ministro

Eng. Manuel Inocêncio Sousa, Ministro de Estado e das Infra-estruturas, Transportes e Telecomunicações;

Dr. Basílio Mosso Ramos, Ministro de Estado e da Saúde;

Dra Cristina Fontes, Ministra da Reforma do Estado e da Defesa Nacional;

Eng. José Brito, Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação e Comunidades;

Dra. Cristina Duarte, Ministra das Finanças;

Dr. Lívio Lopes, Ministro da Administração Interna

Dra. Marisa Morais, Ministra da Justiça;

Dra. Fátima Fialho, Ministra da Economia, Crescimento e Competitividade;

Dra. Madalena Neves, Ministra do Trabalho, Formação Profissional e Solidariedade Social;

Dr. Sidónio Monteiro, Ministro-Adjunto e da Juventude e Desportos;

Dr. José Maria Veiga, Ministro do Ambiente, do Desenvolvimento Rural e dos Recursos Marinhos;

Dra. Sara Lopes, Ministra da Descentralização, Habitação e Ordenamento do Território;

Dr. Manuel Veiga, Ministro da Cultura;

Dra. Vera Duarte, Ministra da Educação e Ensino Superior:

Dra. Janira Hopffer Almada, Ministra da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares;

Dr. Romeu Fonseca Modesto, Secretário de Estado da Administração Pública;

Dr. Jorge Borges, Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros;

Dr. Humberto Brito, Secretário de Estado da Economia;

Dr. Octávio Tavares, Secretário de Estado da Educação.


O que dizer?!

Acredito firmemente na necessidade e nas potencialidades de uma maior presença das mulheres nos órgãos de poder político. Por isso, a minha satisfação é enorme perante a remodelação governamental efectuada pelo Sr. Primeiro Ministro José Maria Neves, cumprindo assim a sua promessa de colocar igual número de homens e de mulheres no Governo, pelo menos na categoria dos/as ministros/as. Porém, não consigo me livrar de um conjunto de interrogações. A questão que não posso deixar de colocar é até que ponto esta remodelação favorece a luta pela igualdade entre os homens e as mulheres em Cabo Verde, nomeadamente no que se refere à luta contra a não discriminação das alunas grávidas nos estabelecimentos de ensino secundário. Ou seja, será que a nova Ministra da Educação e Ensino Superior (que no passado defendeu afincadamente a adopção desta medida) vai conviver com esta discriminação ou procurará uma alternativa mais digna e de respeito para com os direitos humanos? Importa realçar que, em 1995, a Dra. Vera Duarte foi galardoada com o Prémio Norte-Sul dos Direitos Humanos e, com a criação da Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania, assumiu plenamente as suas funções enquanto uma das maiores defensoras dos direitos humanos no nosso país. Desta forma, para além de ter argumentos fortes contra esta medida e sobretudo porque os direitos das mulheres são direitos humanos, aproveito para apelar à Dra. Vera Duarte (ícone do feminismo cabo-verdiano) para que ponha fim a essa terrível humilhação feminina!!!

a caminho de Lisboa…

Congresso de Sociologia,
na Universidade Nova de Lisboa.

Congresso Feminista 2008,
na Fundação Calouste Gulbenkian e na Faculdade de Belas-Artes.
Organizado pela UMAR,
alargada a uma vasta Comissão Promotora.
Uma iniciativa de âmbito internacional.

Michelle and Barack Obama (I)

V. Debate no Parlamento sobre a Exclusão das Alunas Grávidas

Para além da Ordem dos Advogados, o ICIEG (Instituto Cabo-Verdiano para a Igualdade e Equidade de Género) já se posicionou contra a medida de suspensão temporária das alunas grávidas dos estabelecimentos de ensino secundário em Cabo Verde.

Ontem, no Parlamento, com o início do período de interpelação ao Governo, começaram a chover questões sobre a medida de suspensão temporária das alunas grávidas dos estabelecimentos de ensino secundário em Cabo Verde. O maior partido da oposição (MpD - Movimento para Democracia) argumentou que esta medida constitui uma violação dos direitos das mulheres e interrogou sobre o silêncio de algumas instituições/organizações. O partido no poder (PAICV - Partido Africano da Independência de Cabo Verde) apresentou as suas justificações a favor desta medida, sendo de destacar a lamentável posição da Sra. Ministra da Educação e do Ensino Superior em defesa da maldita medida. Entretanto, tanto o PAICV, como a terceira força política no Parlamento (UCID - União Cabo-verdiana Independente e Democrata) defendem que é necessário realizar um estudo sobre o impacto desta medida. Resumindo e concluindo, o debate está mesmo relançado!

IV. O caso da Ana Rodrigues

Objectivos Espontaneamente Delineados

1. Fomentar o ciber-activismo – através da blogosfera berdiana, decidimos suscitar um debate sobre a medida de suspensão temporária das alunas grávidas dos estabelecimentos de ensino secundário em Cabo Verde. Para além da discussão na blogosfera, também houve troca de emails, telefonemas, curtinhas no msn, prosa nos bares, petição online, informação nos jornais (Asemana, Expresso das Ilha, A Nação e Liberal destacaram o caso com artigos de opinião ou notas informativas), etc. Também uma rádio comunitária da ilha de Santo Antão e a Televisão Cabo-Verdiana não deixaram este caso passar despercebido. Pela grande movimentação que tem havido, acreditamos que o debate está relançado.

2. Exigir que a Ana tenha a possibilidade de continuar os seus estudos, sem uma interrupção indesejada neste ano lectivo prestes a findar. Por causa da pressão do tempo, decidimos chamar à atenção da opinião pública e dos sujeitos políticos para que a Ana seja readmitida o mais rápido possível. O nosso maior ganho foi constatar a alegria da Ana ao receber telefonemas de pessoas, sobretudo jovens e mulheres, que ela nem sequer conhecia. Senti que ela ficou bastante comovida com toda esta movimentação e talvez nunca imaginaria que alguém poderia estar preocupado com o seu bem-estar e a sua felicidade. Provavelmente, isso terá efeitos na forma como a própria Ana passará a ver o mundo. Neste momento delicado, ela tem todas as razões para acreditar que neste mundo só existe Lobo Mau. Felizmente, a nossa menina acaba de descobrir que existem pessoas solidárias e que a vida pode sorrir para nós no momento de aflição. Contudo, agradecemos o despacho favorável da Sra. Ministra da Educação e Ensino Superior, que, tendo a consciência do convite tresloucado da Sra. Directora da Escola Januário Leite, “readmitiu” a Ana Rodrigues. Falando nisso, será que a Sra. Ministra da Educação e Ensino Superior vai aproveitar o caso da Ana para fazer alguma coisa contra esta medida discriminatória? Afinal, qual é a posição da Sra. Ministra da Educação e Ensino Superior? Bom, para além de um telefonema às 8h da manhã, a Sra. Directora da Escola Januário Leite devia informar a Ana sobre as razões da sua readmissão. Queríamos ter conhecimento das argumentações da Sra. Ministra da Educação e Ensino Superior! De qualquer maneira, o nosso maior desejo é que a Ana tenha bons resultados escolares e quiçá o desejado 19 valores, prosseguindo os seus estudos superiores, e, talvez um dia, denunciar outras discriminações. Ao nosso bebé Cristian, desejamos muita saúde e uma infância cheia de coisas boas para mais tarde recordar.


Balanço

Tentamos relançar o debate sobre a medida de suspensão temporária das alunas grávidas dos estabelecimentos de ensino secundário e, com maior optimismo, exigir a sua revisão. Percebemos que existem vários argumentos contra esta medida e uma falta de consistência no que se refere à justificação da necessidade da sua existência. Sabemos que o caso da Ana já foi resolvido, mas a medida continua a existir e vai continuar a atingir muitas outras Anas Rodrigues, se não for encontrada uma alternativa mais adequada para combater a gravidez precoce.

III. Eileen Almeida Barbosa, em defesa da não discriminação

Mal soltamos a voz contra a medida de suspensão temporária das alunas grávidas dos estabelecimentos de ensino secundário, um vento suave espalhou o nosso grito aos quatro cantos do mundo. A Global Voices sintetizou a informação e fez circular.

Parece que os “gringos” ficaram confusos com tamanha aberração e convidaram-nos para a BBC. Aceitamos. Assim, a partir de Cabo Verde, perto das 19h, a jovem escritora cabo-verdiana Eileen Almeida Barbosa vai dar uma entrevista ao programa Newshour... Neste momento, estou a terminar uma nota para a RDP‑África. Também temos o convite de uma rádio comunitária da ilha de Santo Antão, mas ainda estamos à procura da pessoa mais indicada para essa entrevista. Contudo, enviamos uma cópia do manifesto e o link da petição, que estão a circular naquela rádio local.

Enviamos o manifesto e o link da petição para diversos jornais cabo-verdianos (Asemana, Expresso das Ilhas, A Nação e Liberal) e alguns já começaram a publicar. A primeira reacção foi de um advogado cabo-verdiano, residente na diáspora, que se disponibilizou a custear as despesas para que a Ana Rodrigues tenha um advogado por perto a seguir o seu caso. Seguidamente, começaram a chover emails e telefonemas de toda parte. Pessoas interessadas em ajudar ou apenas preocupadas com a situação da Ana Rodrigues.

Na sexta-feira passada, na Televisão de Cabo Verde, quem esteve no programa do Abraão Vicente foi o Sr. Primeiro Ministro José Maria Neves, que, ao ser confrontado com a movimentação cívica por causa do caso da Ana Rodrigues e de tantas outras miúdas cabo-verdianas, respondeu mais ou menos assim: “soube disso e liguei à Sra Ministra da Educação e Ensino Superior e ela disse-me que a questão já está resolvida. Portanto, fizeram uma tempestade num copo de água”. Resposta para boi dormir, nem mais! De qualquer maneira, parece que o Sr. PM e a sua equipa estão a escutar a voz da sociedade civil...

Cada vez com mais força, estamos a lutar para a revisão daquela medida discriminatória!!!

II. “Todos os Direitos para Todos e para Todas!”


Movimento pela Educação, surgido na blogosfera cabo‑verdiana e contando com o apoio de um conjunto de cidadãos/cidadãs no país e na diáspora, organiza uma petição contra a medida de suspensão temporária das alunas grávidas do ensino secundário. Este movimento conta ainda com o apoio da aluna Ana Rodrigues e da sua família.


Pelo Direito à Educação!

(…) É com base na legislação nacional e no ordenamento jurídico internacional que invocamos a Meta 4 dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio – “Eliminar a disparidade de género no ensino básico e secundário, se possível até 2005, e em todos os níveis de ensino, o mais tardar até 2015” – e formulamos esta reivindicação pelo direito à permanência sem uma interrupção indesejada no ensino secundário, contestando a referida medida de discriminação negativa das jovens e adolescentes grávidas. Verificamos que, tanto no ensino básico, como no secundário, já atingimos a paridade. Porém, no ensino secundário tem havido quedas da taxa de escolarização feminina, podendo ter alguma correlação com a medida discriminatória existente, sendo de realçar a grande percentagem de jovens e adolescentes mães que se encontram fora do sistema escolar. Certamente, existem outras medidas possíveis de serem aplicadas para combater a gravidez precoce, como a educação para uma saúde sexual e reprodutiva responsável.

A nossa contestação vem na sequência do caso da Ana Rodrigues, publicada no Liberal (secção sociedade, no dia 5/06/2008). Tivemos conhecimento que, no passado dia 28 de Maio deste ano, esta estudante do 11.º ano, na Escola Secundária Januário Leite, no concelho do Paul, foi convidada a anular a sua matrícula “por motivo de parto”. Indignada com esse amargo sabor da discriminação feminina nas escolas cabo-verdianas, Ana Rodrigues escreveu uma carta para o Ministério da Educação e Ensino Superior, suplicando o direito de continuar os seus estudos, sem uma interrupção indesejada neste ano lectivo prestes a findar.

Uma vez que a medida – apesar de ser discriminatória – abrange apenas o período de gestação, impõe-se uma questão: por que razão a estudante Ana Rodrigues foi convidada a anular a sua matrícula “por motivo de parto”? Se a aluna tiver ultrapassado o limite de faltas, exigimos que ela tenha o direito de justificar as suas faltas! Não podemos deixar de relembrar que a dita medida atinge somente as mães, sendo uma clara discriminação das mulheres e desresponsabilização do homem (pai) perante a maternidade. É com uma medida desta natureza que pretendemos “conciliar os princípios constitucionais de protecção da maternidade e da infância”? É desta forma que pretendemos construir uma sociedade mais justa, democrática e de respeito para com os direitos humanos?

Assim, por causa do nosso descontentamento com o triste convite endereçado à estudante Ana Rodrigues – que, apesar de estar a enfrentar dificuldades económicas, é uma das melhores alunas da sua escola, com uma média acima dos 17 valores – e também tendo conhecimento de outros casos similares, decidimos avançar com uma petição, exigindo um enquadramento especial para as grávidas nas escolas secundárias, bem como um acompanhamento das mães jovens e adolescentes para prosseguirem os seus estudos. Aliás esta última exigência já foi reconhecida como sendo necessária pelo Plano Nacional para a Igualdade e a Equidade de Género (2005-2009). Queremos deixar claro que a nossa intenção não é incentivar a gravidez precoce, mas combater o possível abandono escolar e a discriminação que a referida medida de suspensão implica. Exigimos o direito à educação!


Movimento pela Educação



… … …


nos kaoberdi di sperança... nu djunta mon nu konstrui nos téra

Um pouco por todo o lado, estamos a fazer muito barulho. Troca de emails, curtinhas no msn, prosa nos bares, discussão nos blogs, mobilização de ideias, informação para os jornais, banner à disposição, petição online… Apesar do grande susto após dôz déde de conversa com a sra directora que nem queremos recordar o seu maldito nome, parece que quase tudo voltou ao normal. Não!... No Café Margoso, a malta continua agitada contra o vergonhoso convite à exclusão e os tambores estão a zunir em Soncent, ecoando em terras distantes. No meio da agitação geral, ouve-se coisas do género: “Vitinho, disfarce a barriga, porque podes ser apanhado!” A novidade chegou quando recebemos o convite para a estreia do novo filme de Tambleitman sobre “um homem grávido e o seu combate para se manter no governo… participação especial de toda a classe política cabo-verdiana”. Não sei quem disse, mas circula um boato de que “aqui não é planeta terra; é Cabo Verde, um país um pouco ao lado da realidade!” Não fiquem tristes, há sempre esperança. A justiça triunfará!

... A bola continua a rolar. Golooo!!! A nossa equipa soma e segue. Claro, com esta força vamos chegar à final, que será no Estádio do Povo, onde receberemos a Taça da Justiça e da Dignidade e uma Medalha Especial de Cidadania Plena para a menina Ana Rodrigues.

I. “por motivo de parto”


“A Direcção da Escola Secundária Januário Leite, vem por este meio avisar aos professores e alunos da turma 11.ºC, Área Económico e Social, que a aluna Ana Rodrigues fica suspensa das aulas por motivo de parto. A mesma deverá pedir a anulação da sua matrícula para o presente ano lectivo(ver mais).

Directora Alda Maria Martins Lima


No passado dia 28 de Maio de 2008, uma jovem cabo-verdiana estudante do 11.º ano, na Escola Secundária Januário Leite, no concelho do Paul, foi convidada a anular a sua matrícula “por motivo de parto”. Indignada com esse amargo sabor da discriminação feminina nas escolas do nosso país, Ana Rodrigues escreveu uma carta para o Ministério da Educação e Ensino Superior, suplicando pelo direito de continuar os seus estudos, sem uma interrupção indesejada neste ano lectivo prestes a findar.

Fiquei furiosa ao saber da situação da jovem Ana, que, apesar de estar a enfrentar dificuldades económicas acrescidas, é uma das melhores alunas da sua escola, com uma média acima dos 17 valores. Ainda a poucos dias, na Feira do Livro de Lisboa, durante a apresentação da Revista Direito e Cidadania, uma distinta senhora de nome Ernestina Santos contestava a discriminação das jovens e adolescentes grávidas nas escolas cabo-verdianas, como que adivinhando o caso da Ana. Como tenho uma preocupação particular com a feminização do abandono escolar, principalmente no ensino básico e secundário, e com a elevada taxa de gravidez precoce, que condena as jovens e as adolescentes a abandonarem os estabelecimentos de ensino, muitas vezes definitivamente, não podia ficar calada perante este caso.

Desde quando andava no liceu, contestava o afastamento das grávidas dos estabelecimentos de ensino, o que tanto prejudica as nossas adolescentes e jovens surpreendidas por uma gravidez numa altura pouco aconselhada. Certamente, existem outras medidas possíveis de serem aplicadas para combater a gravidez precoce, como a educação para uma saúde sexual e reprodutiva responsável. Sabemos que o abandono escolar feminino e a gravidez na adolescência acabam por condicionar a própria situação das mulheres no contexto cabo-verdiano. Na ausência de uma formação académica ou profissional, as mulheres cabo-verdianas são praticamente excluídas do mercado de trabalho formal e procuram formas alternativas de sobrevivência e de sustento dos/as seus/suas filhos/as, sendo que essas alternativas, em grande medida, contribuem para perpetuar a sua subalternização de diversas formas.

Feira do Livro de Lisboa: Cabo Verde País Convidado

A 78ª Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII, começou no dia 24 de Maio e vai até o dia 15 de Junho, tendo Cabo Verde como país convidado. Para representar o país, com o apoio da nossa embaixada, tem sido desenvolvido um conjunto de actividades, englobando diversas áreas (ciência, música, literatura e gastronomia) e contando com a presença de convidad@s especiais vind@s do país e residentes aqui em Portugal. Quanto à literatura cabo-verdiana, com séculos de existência, sinto um nó na barriga quando penso na sua fraca divulgação além fronteira. Tenho uma enorme inveja da literatura angolana e da literatura moçambicana, que, cada vez mais, têm sido divulgadas pelo mundo. Porque é que tão pouc@s escritor@s cabo-verdian@s conseguem publicar fora do espaço nacional? Acho que chegamos a uma fase em que, deixando de lado os nossos bairrismos e coscuvilhices internas, devemos lutar para projectar a nossa literatura como ela realmente merece.

Na minha primeira visita à Feira do Livro, fiquei boca aberta com tamanha assistência, acima de tudo com a capacidade de resistência das pessoas que compareceram para ouvir os quatro oradores a dissecarem sobre a música cabo-verdiana. A conferência estava marcada para 6:30mn, tendo começado com um ligeiro atraso, à cabo-verdiana. Ainda perto das 22:30mn, a assistência mantinha composta no auditório principal. Desconfio que o que prendia as pessoas naquele auditório era o cheirinho da katxupa, que estava pronta para ser servida. Terminada a sessão, serviram a tão esperada katxupa feita com produtos da terra. Depois chegou a hora para um pé de dança, uma coladeira improvisada. Um jovem mexicano perguntou-me como é que ele devia mexer os seus pezinhos. Fiz de conta que sou uma expert no assunto e lá fui eu ajudar o mexicano que já tinha comido a katxupa, bebido o grogue, comprado um livro e apenas esperava para dançar uma coladeira. Bom, suponho que fiquei bem na fita, até houve palminhas...


Revista Direito e Cidadania

O meu regresso à Feira do Livro foi para a apresentação da Edição Especial da Revista Direito e Cidadania. Num auditório bem composto, o jurista Jorge Carlos Fonseca (Director da Revista e Presidente do Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais [ISCJS, Cabo Verde]) deu o pontapé de saída, fazendo uma breve apresentação da conhecida revista e agradecendo pela maravilhosa e notável assistência. Passou a bola para mim, que, entusiasmada perante a assistência, tentei dar a minha contribuição a partir do campo político, avançando para o meio campo feminino. A seguir foi a vez do economista João Estêvão, que fez uma passagem rápida pela economia cabo-verdiana, no pós-independência. E, seguidamente, a psicóloga Iolanda Évora rematou para a baliza da diáspora. No final da apresentação, a assistência mostrou-se satisfeita com a possibilidade de ter pelas mãos 19 estudos/depoimentos sobre o pós-independência cabo-verdiano, abarcando o Estado de direito e a democracia, a economia, a cultura, a educação, a saúde, a justiça e a diáspora.

Barack Obama

Barack Obama acabou de conquistar a sua nomeação como candidato democrata para as próximas eleições presidências norte-americanas. Como escrevi no passado dia 5 de Fevereiro, “enquanto uma mulher negra, com um interesse especial pelas questões políticas e, em particular, pela participação política feminina (…), se tivesse o direito de voto nas primárias democratas, o meu voto seria nulo, porque não seria capaz de votar contra a Hillary e nem seria capaz de votar contar o emocionante apelo de Barack Obama”.

Por um lado, foi com uma enorme tristeza que acompanhei minuto a minuto a fragilização da possibilidade da Hillary vencer essas primárias. A derrota da Hillary merece uma análise que extravasa o estrito campo de poder político e o contexto norte-americano. Trata-se de uma questão que merece uma análise a nível global e em diferentes sectores. A actuação da Hillary e do movimento das mulheres também merecem ser analisadas. Talvez no Women's World 2008!

Por outro lado, sinto uma profunda emoção com a revitalização de uma luta histórica. Não posso deixar de felicitar o Obama, por acreditar num sonho. Sim, hoje, também o sonho de que um outro mundo é possível parece mais palpável com esta nomeação do Obama. Trata-se de uma vitória mais do que merecida, uma vitória necessária. Vale a pena acreditar! E agora é a hora de iniciarmos uma correnteza firme a favor da eleição do Obama e contra o racismo ainda presente nas nossas sociedades (vejam a análise do Noam Chomsky).

I have a dream”!...

Calheta, o meu porto de abrigo...

Monólogos com a minh’aldeia

I
Calheta,
Ao longe,
Sobre os montes,
A cruz da tua capela avisto.
Em meu coração alçada ergue-se a cruz
E com ela tu também.
Invade-me
- sob a concha da infância –
Uma saudade imensa, que me torna imenso.
...
Vêm a meu alado encontro
As aves da minh’aldeia.
A meu encontro vêm.
São tão belas quanto tão belas são!
E quando partem quais os olhos que
Não vêem os horizontes que a meu encontro vêm?
...
Pequena baía do meu coração qu’em ave s’abre,
Sonho de carmesim destes montes à tardinha,
Pátria superna de toda a saudade auroral,
Deusa da minha infância sempre idêntica,
Calheta de mar bucólico até à espuma,
De lua docemente infante na noute
E de céu com saudade de um ninho cá em terra.


II
A casa da minha infância dá para um mar
Que não quer dar para os horizontes
Mas sòmente para as casas da minh’aldeia.

A casa da minha infância tinha um belo quintal,
Um belo quintal bem mais bonito
De que todo o quarto de menino de cidade,
Onde eu brincava sumamente feliz,
Discretamente eterno, com a minha infância.
Lembro-me – disso sempre me lembrarei –
Que se escondia, tão esperta,
De mim a minha infância, pelas gretas da parede.

Meu Deus do Céu, sob a sombra desta mesm’árvore,
Deixai‑me brincar – novamente –
Um só momento com a minha infância.

Vadinho Velhinho


…o prazer de estar em casa.

No meu porto, encontro a paz como em nenhum outro lugar. Em cada esquina, um sorriso me espreita, uma mensagem me faz mergulhar na baía da minha infância. A noite é mágica, nasce e desvanece sorrateiramente. Aqui, as estrelas jogam às escondidas entre os montes. A Lua é uma parte de mim...

Santiago

Quando cheguei à capital cabo-verdiana, estava a decorrer uma conferência internacional na Reitoria da Universidade de Cabo Verde, espalhando um forte cheiro da academia pela cidade. Para além do pessoal da casa, o José Carlos dos Anjos estava na capital, com uma equipa de investigador@s brasileir@s. Eu e o Gabriel Fernandes fomos ter com a malta para um brinde e conversas afins. Do outro lado da linha, o Odair Varela preparava‑se para uma viagem à capital senegalesa. No meu caso, também tinha que dormir cedo, porque, às seis horas da matina, tinha que apanhar um avião para a ilha do Porto Grande. Foi ainda na Praia que assisti o arranque oficial das campanhas eleitorais, marcado pelas marchas do Filú e do Ulisses...

Quando regressei das ilhas do Norte, nomeadamente Santo Antão e São Vicente, iniciei uma marcha contra o tempo. Por isso, apenas visitei cinco concelhos da ilha maior: Praia, Santa Catarina, Tarrafal, São Domingos e São Miguel. No ambiente flutuante das campanhas eleitorais, estive a remar sucessivamente contra o acelerar das horas. Mas nem por isso deixei de acumular o meu stock de risadas. Também fiz questão de saudar @s amig@s/conhecid@s que se encontravam envolvid@s no festival eleitoral (Milton Paiva em São Domingos; Victor Semedo nos Picos; Moisés Borges no Tarrafal; Paula Vaz, Graça e Francisco na Praia; kaka Barbosa em Santa Catarina; @s candidat@s de São Miguel, etc.). Também, sem grande espanto, apercebi-me de que a minha geração já se despertou para a política activa.

Em cada concelho por onde passei registei momentos de maior cumplicidade. Em São Domingos, aplaudi a subida do Milton Paiva ao palanque. Em Santa Catarina, estive com o Marco, o Evando e a Janine. E vi o kaka Barbosa a preparar o último comício do PAICV que contou com a presença do JMN. Gostei da prosa com o feiticeiro Barbosa, insatisfeito com o estado das coisas na sua cidade natal. Em São Miguel, aproveitei para conhecer melhor o meu concelho, as suas gentes e as dificuldades que espreitam atrás das portas. No Tarrafal, congratulei a candidatura do Moisés Borges, o mais jovem cabeça de lista para a Câmara Municipal apresentado nessas autárquicas. Na Praia, foi com satisfação que participei na “Emissão Especial TCV, Autárquicas 2008”: no primeiro painel, juntamente com Sidónio Monteiro (representante do PAICV), Miguel Sousa (representante do MpD) e Jorge Carlos Fonseca (Analista Político); no segundo painel, juntamente com Rui Semedo (representante do PAICV), Lourenço Lopes (representante do MpD) e Jorge Carlos Fonseca (Analista Político). A moderação esteve a cargo do jornalista Waldemar Pirei, sob a coordenação da jornalista Adelina Brito e sob a direcção da jornalista Margarida Fontes.


Blogosfera

Ainda gostei de ter cruzado com o Abraão Vicente e o Djinho Barbosa, caminhando até ao esconderijo da turma “Raiz de Polon”; de ter escutado as palavras do Mário Fonseca aquando do debate sobre Aimé Cesaire lá na agora animada Fundação Amílcar Cabral, onde o Tide tem desempenhado um papel central na dinamização do espaço; de ter reencontrado o Paulino, o Filinto, a Guida e a Margarida Fontes; de ter conhecido muita malta da blogosfera (Miguel Barbosa, César, Mário Almeida, kaka Barbosa e Baluka Brazão).

São Vicente

A ilha estava muito movimentada, com a máquina da campanha a fazer sentir nas ruas da cidade. Nos primeiros dias da minha estadia, havia um sol sedutor dos mergulhos. Já na recta final, a ventania quebrava o sossego da praça.

Apesar da ventania dos últimos dias, trouxe boas recordações da ilha. Para começar, passei o primeiro de Maio com a Eileen, uma boa prosadora. Foi um dia para mais tarde recordar. Gostei de descobrir que a Eileen preocupa com o ambiente, tendo uma postura ecológica. Entre tantos outros gestos a favor do nosso planeta, a Eileen reutiliza a água e usa energia eléctrica de forma racional. Também gostei dos passeios pela cidade, a sensação de sentir a pulsação da cidade... No final do dia, um “café margoso” com o João Branco, acompanhando as risadas e os delírios no cambar da noite.

No Café Mindelo, a Roselma apresentou-me o Olavo, que me levou ao antigo Liceu Gil Eanes para dialogar com a malta dos anos trinta. Depois da pesquisa diária, reencontrar com o Olavo e com a poesia tornou-se num hábito delicioso. Também adorei os passeios pela cidade na companhia da Irina Camões e do Artur Jorge... Assim, fiquei a conhecer um pouco melhor a encantadora cidade do Mindelo.

Santo Antão

Com a minha mochila às costas, apanhei um barco para a ilha das montanhas. Nessa viagem, que demorou quase nada, coloquei-me na pele das “Lobas do Mar”. Sentia os meus pés a caminharem em cima das águas salgadas, em perfeita sintonia com os seres do mar. Quando cheguei à cidade do Porto Novo, o sol do meio‑dia ainda não se fazia sentir.

Segui viagem para a vila da Ribeira Grande. Aproveitei para conhecer a Ribeira da Torre, vale da minha colega Elia Monteiro. Fui visitar o cutelo do Paulino Dias, caminhando assim pelo vale e pelas encostas até Fajã Domingas Bentas. A teimosia me levou a calcorrear pela montanha, passando pelo Marrador em direcção ao quase topo da montanha. Bom, no fim da viagem, o mano do Paulino Dias disse‑me: “mais duas vezes, habilitas a ganhar qualquer maratona lá na Praia”.

Na manhã seguinte, segui para o vale do Paul. Nho João de Mari’Guida mostrou-me a fornadja, onde a cana‑de‑açúcar é transformada no conhecido Grogue de Santo Antão. Avistei Pedra das Moças, mas já não tinha pernas para desafiar o declive.

Dias depois, regressei para o Porto Novo. Mesmo com um sol de rachar pedras, não resisti a percorrer pelo centro da cidade. Depois de ter completado o meu plano de trabalho e de ter saciado as minhas curiosidades turísticas, seguir para a ilha do Porto Grande. Dessa vez, o mar portou-se mal, muito mal. A ventania e os valentes solavancos estiveram presentes durante toda a viagem.

Campanhas Eleitorais

Em Cabo Verde, os períodos eleitorais são marcados por muita festa, envolvendo a tensão que acompanha os actos eleitorais. Apesar de alguns indicadores que pouco dignificam a qualidade da democracia nas ilhas e de alguns incidentes aqui e acolá, não é nunca demais realçar o “bom comportamento” dos sujeitos políticos e do povo, nomeadamente durante os dias quentes das campanhas eleitorais. Quem está fora do jogo político, vive os períodos eleitorais com maior descontracção e aproveita para melhorar o seu stock de risadas. No meu caso, para além da recolha empírica, aproveito os períodos eleitorais para visitar as ilhas e conhecer outras gentes. Nestas eleições autárquicas, embora por pouco tempo, tive a oportunidade de visitar as ilhas de Santo Antão, São Vicente e Santiago. Aproveitei para saudar @s velh@s amig@s e fazer nov@s amig@s.


Frase do dia... da semana ... do ano... do século...

«Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão.» - Eça de Queiroz.

Maria Dionísia: uma mulher das letras

É com pesar que, através do a semana online, soube da morte de Maria Dionísia Velhinho Rodrigues, conhecida por D. Bia. Esta mulher das letras, natural de Calheta São Miguel, morreu ontem, aos 85 anos de idade. Um dia antes de deixar este mundo, imagino que pela sua felicidade, D. Bia assistiu ao lançamento do quinto livro do seu filho Vadinho Velhinho.

A forma mais nobre que tenho para homenagear esta primeira mulher das letras de boka‑portu é ler a sua obra. Por isso, aguardo ansiosamente pela publicação do seu livro, que, como fiquei a saber, regista também um pedaço da memória boka-portuense. Acredito que vou gostar de ler os seus registos sobre a vivência na Calheta, naquele tempo em que o mar banhou o Porto.

Aimé Cesaire

Ainda ontem, eu e o Fabrice, falávamos sobre Aimé Cesaire. Este poeta e político da Martinica foi um dos fundadores do movimento da negritude, surgido, na década de trinta, entre os estudantes negros que se encontravam a frequentar o ensino superior em Paris.

É de realçar que, antes, mais precisamente no ano de 1932, tinha sido apresentada, por um grupo de estudantes da Martinica em Paris, o manifesto Légitime Défense, que propunha uma ideologia de revolta e formulava uma orientação precisa para os escritores negros de “expressão francesa”. O movimento da negritude – impulsionado sobretudo por Aimé Césaire e pelos senegalenses Léopold Sédar Senghor e Alioune Diop – reclamava a necessidade e o dever de @s intelectuais african@s afirmarem e defenderem a sua cultura. Nessa altura, diversas manifestações já tinham ocorrido no sentido da afirmação da cultura negra, com o objectivo de a libertar da categoria de subproduto a que a cultura ocidental a havia relegado. Por essa altura, também tinha surgido um verdadeiro movimento para a revelação dos valores humanos, sociais, literários e artísticos d@s negr@s.

Aimé Cesaire nasceu a 26 de Junho de 1913. Aos 18 anos, deslocou para Paris, com a finalidade de prosseguir os seus estudos. Aos 26 anos de idade, regressou ao seu país natal para dar aulas. Aimé Cesaire, que já estava em cima dos seus 94 anos de idade, encontrava-se hospitalizado devido a problemas cardíacos. Nesta quinta-feira, 17 de Abril, infelizmente, não resistiu a mais um solavanco da vida... Na sua obra, não posso deixar de destacar Cahier d'un Retour au Pays Natal (Poesia, publicada 1939) e Discours sur le Colonialisme (Ensaio, publicado em 1955).

Vadinho, o poeta de boka-portu

Cresci na baía do porto a ouvir rumores sobre um poeta nascido no sobrado rodriguenho. Entre as minhas fantasias infanto-juvenis e as minhas viagens pelo silêncio da noite, extasiava-me o facto de ter um poeta na minha pacata aldeia à beira-mar.

Por isso, foi com tamanha emoção que tomei conhecimento do lançamento, nesta quinta-feira, 17 de Abril, pelas 18:15mn, no restaurante-bar O Poeta, do quinto livro de Vadinho Velhinho, intitulado Tenho o Infinito Trancado em Casa. A apresentação estará a cargo de José Maria Neves e de Jorge Carlos Fonseca. Este poeta que partilha com o grande público o infinito, também é autor de O Túmulo da Fénix (2003), No Ponto de Rebuçados (2001), Adeus Loucura, Adeus (1997) e Relâmpagos em Terra (1995).

Pensando na recuperação do poeta de uma maldita febre que o abalou nos últimos dias e desejando para que logo mais se reencontre com o seu humor afinado, deixo aqui o rascunho de um poema que rabisquei, depois de ter lido Relâmpagos em Terra, especialmente para este meu poeta de boka-portu. Juntamente com os versos, reencaminho um forte abraço da família boka-portuense para o menino Vadinho e para a sua família na cidade grande.


desejo uma noite insone


rodeada pela baia nua,
espreitada pelas estrelas,
acariciada pela lua...

uma noite de insónia
é o meu desejo:
............para acomodar as ondas da baia
............e escutar o silêncio em cortejo.

a areia negra da baia
projecta o menino no sobrado rodriguenho,
poetizando a imensidão do mar, com euforia.

da varanda
receio ausentar,
pois a mamai velha, mesmo dormida,
exalta a ressonar.

Eurídice

El Nuevo Gobierno

Nos últimos anos, a Espanha tem vindo a apresentar uma atitude política favorável à integração de mais mulheres na política. Desta vez, a grande novidade prende-se com el nuevo gobierno de Zapatero, constituído por 9 ministras e 8 ministros, tendo assim uma maioria feminina entre os nomeados pelo chefe de governo espanhol. Assim sendo, contabilizando a cabeça de Zapatero, el nuevo gobierno apresenta igual número de homens e de mulheres. Para além deste indicador nunca dantes registado na história de Espanha, pela primeira vez, uma mulher ocupa a pasta da Defesa. A imagem de Carme Chacón (grávida de sete meses), enquanto Ministra de Defensa na sua primeira visita às tropas espanholas, não passou despercebida aos olhos do mundo. Uma outra novidade trata-se do Ministério da Igualdade, ocupado por uma jovem de 31 anos de idade.

Este facto acontece num ano em que Madrid prepara para receber o 10º Congreso Internacional Interdisciplinar sobre las Mujeres (Mundos de Mujeres/ Women's Worlds), que conta com mais de 3000 propostas de comunicação. Este encontro vai reunir as mais prestigiadas intelectuais e activistas feministas do nosso tempo, sendo um impulso para as mais jovens que acreditam num mundo de partilha e complementaridade entre os homens e as mulheres.

Assim sendo, entre muitas outras razões, a composição do nuevo gobierno de Zapatero me alegra por ser a área do meu interesse de investigação, mas também porque estarei em Madrid durante o Women's Worlds 2008, onde aproveitarei para observar mais de perto a contribuição de Espanha para a redefinição da democracia.

Parabéns, Mayra!!!


É sempre com muita alegria que recebo as novas sobre a jovem artista Mayra Andrade... Ontem, numa cerimónia em Londres, a cantora cabo-verdiana de apenas 22 anos de idade, através do seu álbum Navega, foi galardoada com o Prémio BBC Rádio 3 World Music, na categoria Artista Revelação do Ano. Sem dúvida nenhuma, trata-se de mais um reconhecimento pelo talento e pela dedicação da artista. Parabéns, Mayra Andrade!...

Odai Grandi


Parabéns, nha manu di Coimbra!

Odair, queria estar por perto para te parabenizar pelos teus anos. Como o mar nos separa, daqui desta cidade adormecida, mando-te um grande abraço e desejo-te um pacote de coisas boas: saúde, sossego, cordialidade, sorrisos, fantasias, música, poesia e amor. E ainda a continuação de uma boa pesquisa empírica (!)...

ilhas
























penetraram através da ilha maior.
com artificies sagrados, minaram a terra.
depositaram sementes, que deram frutos.

Eurídice

Imagem:
Sandro Brito

Global Voices

Acordei com uma dor de cabeça terrível. Ao entrar no meu blog, verifiquei uma grande surpresa: o post que escrevi por ocasião do dia das mulheres cabo-verdianas teve ecos que desconheço a proporção. Partilho convosco esta alegria de ver uma citação sobre as mulheres cabo-verdianas no Global Voices.


Cape Verde: Woman's day

The point is that we try to understand the current situation and demand that, regardless of gender, people are treated with respect and have the necessary means to live with dignity.” - Língua Inglesa (trata-se de uma língua europeia, que tem vindo a ganhar terreno a nível mundial).

O que importa é tentarmos compreender a situação actual e exigir que, independentemente do sexo, as pessoas sejam tratadas com respeito e tenham as condições necessárias para viverem com dignidade.” - Língua Portuguesa (trata-se de uma língua europeia, exportada para as antigas colónias africanas, nomeadamente para Cabo Verde).

Ny zava-dehibe ankehitriny dia ny fiezahanay mamantatra izay toe-java misy sy ny fitatakianay, tsy misy fanavakavahana izay filahiany na fivaviany, ny hanajana ny zon'ny tsirairay sy ny mba hananany izay ilainy mba hiainany amin-kaja.” - Malagasy ou Malgaxe (trata-se de uma língua africana, do povo de Madagáscar).


Também chegou ao Japão (31/03/2008)

。「重要なのは、私たちが現状を理解しようとすることと、ジェンダーに関係なく、人びとが尊敬をもって扱われ、尊厳をもって生きるのに必要な手段を持つことだ。」- Língua Japonesa (trata-se de uma língua asiática, do povo de Japão).


……................................

(07/03/2008)

Aproveito para reagradecer a tod@s que contribuíram para espalhar essas breves linhas banais: Mpandika Tomavana, Hanako Tokita e Paula Góes. Não sei quem são, mas acho interessante a forma como vasculham a blogosfera!

Paula Góes, a dor de cabeça já passou…

P.S.: pela primeira vez, através de um simples post, senti vontade de abraçar os quatro continentes (África-América-Ásia-Europa). Então, aqui vai:

Um forte abraço

Mulheres Cabo-Verdianas

Sema Lopi

bu pari matcho, bu pari cordon
bu pari femia, bu pari labada
bu pari matcho, bu ba sirbi rei
bo qui pari femia, bu ba sirbi mundo


(música popular)


Hoje, Dia das Mulheres Cabo-Verdianas, na minha visita matinal pelo mundo da informação, tropecei-me numa nota acerca de uma sondagem aos/às leitor@s do asemana-online, onde os resultados apontam alguma reserva quanto à real emancipação das mulheres cabo-verdianas, sendo que apenas 22% considera que, no meu país, existe uma igualdade entre os sexos.

Aqui, já escrevi dois posts específicos sobre a situação das mulheres cabo-verdianas: Violências contra as Mulheres e Direitos Humanos das Mulheres. Acima de tudo, a minha preocupação é com a dignidade humana das mulheres (e também dos homens). Porém, sabemos que existem ainda inúmeras barreiras que entravam uma verdadeira emancipação das mulheres das ilhas. Não vele a pena atirarmos a culpa para as próprias mulheres ou para os homens. O que importa é tentarmos compreender a situação actual e exigir que, independentemente do sexo, as pessoas sejam tratadas com respeito e tenham as condições necessárias para viverem com dignidade.

Claro, fico furiosa quando vejo que a minha geração continua ainda a praticar actos que tão pouco merecem ser referidos aqui, na medida em que ilustram a grande resistência quanto à igualdade entre os homens e as mulheres. Infelizmente, temos ainda que insistir na luta para a promoção e protecção das mulheres. Claro, fico triste quando as mulheres são vistas como meras vítimas, frágeis e coitadinhas. É preciso uma outra postura em relação a essa problemática.

Não me venham dizer que as mulheres tendem a ser machistas sem mais! É preciso questionar. Sem dúvida que muitas mulheres continuam ainda a assumir essa posição, porque acreditam que para se triunfarem precisam pautar as suas acções de acordo com um ideal, sendo que este ideal assemelha muito a posicionamentos masculinos... Para o bem-estar da nossa nação secular, temos que lutar por uma cultura que respeita a igualdade na diferença e não humilhar/maltratar as mulheres do nosso país!...

Neste mês de Março, sem ignorar as demais instituições, aproveito para parabenizar: a OMCV, pelo trabalho que tem vindo a realizar, desde a sua fundação oficial a 27 de Março de 1981; a MORABI, pela contribuição, desde a sua criação a 28 de Março de 1992, sobretudo a nível financeiro, nesta luta pela melhoria da situação de muitas famílias e, especialmente, de muitas mulheres cabo-verdianas.

As minhas escolhas

Antes de tudo, o meu agradecimento ao Pedrabika por ter incluído “Igualdade na Diferença” na sua lista, ao lado do Djaroz.

Para dar continuidade a esta onda, que começou no Café Margoso, entre tantos blogs berdianos de que gosto, mas evitando o efeito repetição, aponto o meu dedo para dois super deliciosos: o primeiro, pelo verde e pela amizade, que começou na blogosfera e fortificou lá fora, no espaço real; o segundo, pelos seus belíssimos poemas, que me contagiam sempre que o acaso, quase habitual, me leva a aportar por aquelas bandas.


Blog d'kel Bom: Blog do Paulino e Soncent.

 
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