Um pouco de CABO VERDE


Cabo Verde tem uma longa tradição migratória. Se hoje a emigração já não é tão romantizada ou sofrida como dantes, o que parece não mudar são as saudades. Basta ver a forma como a diáspora cabo-verdiana procura manter laços afectivos com as ilhas perdida no meio do mar!

Portugal é hoje um dos países onde a diáspora cabo‑verdiana se encontra melhor representada, acabando de ganhar mais um novo membro – Cristiano Ronaldo!, bisneto de uma berdiana que fugiu das ilhas, nos anos idos das secas, à procura de melhores condições de vida, aliás razão principal que tem impulsionado a emigração cabo‑verdiana.

Da mesma forma que a dita bisavó de Ronaldo por cá ficou, tantas outras almas berdianas vagueiam pelas terras lusas. Por mais anos que não visitam o país, por mais que as suas vidas se cruzem com outras vidas e se desvaneçam as possibilidades de regresso às ilhas, guardam sempre, para lá das lembranças, um pouco de CABO VERDE.

Ultimamente, tenho conhecido almas de origem berdiana que mesmo não partilhando as minhas loucas paixões pelas ilhas afortunadas, mesmo sem contactos reais com o arquipélago, guardam um pedaço de ternura que só pode ser berdiana. E o brilho que enche nos seus olhos quando ouvem falar dos destroços que o poeta nem sabe de que continente são. De repente, reabrem o baú de memórias, e desfolham episódios inesquecíveis. SODADE é a única palavra que conseguem pronunciar. Não importa quantas outras línguas conheceram, a palavra mágica traz o sotaque de um recanto qualquer do arquipélago. Ai como eu gostaria que, pelo menos, este sábado não acabasse nunca, fosse eterno!...

Eu, ...


Leitura do dia

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«A democracia é um sistema político mutável e, ao mesmo tempo, vulnerável. Para a revitalizarmos, é hoje indispensável conjugar a representação e a participação, a economia e a política, a família e as instituições.»

Paul Ginsborg, A democracia que não há. Que fazer para proteger o bem político mais precioso dos nossos tempos

Sonhei uma ilha

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Sonhei uma ilha
onde a chuva
de madrugada
beijava os campos
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……….
boca a boca
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sonhei uma ilha
onde o coração do sol
sorria alegre
aos camponeses
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……….sorriso a sorriso
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ao amanhecer
a chuva poisava
um beijo quente
na respiração dos monte
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……….
suspiro a suspiro
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e o azul do ar
sorria-me nas mãos
azul a azul
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Carlota de Barros

blogosfera berdiana: destaques

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2008 foi um ano maravilhoso para a blogosfera berdiana. Novos blogs foram inaugurados, trazendo mais ideias e emoções, com inevitáveis polémicas, a esta nossa “nova diáspora” (usando a expressão do poeta bloguista-- não me lembro em que post). De entre tantos outros novos blogs, daqui vai um bouquet de flores especialmente para: Bianda, Ku frontalidade e Ali bem tempu. No meio desse aflorescimento, vozes amigas e informativas foram silenciando: Blog do Paulino e Amante da Rosa... O ano que está prestes a acabar foi marcado, acima de tudo, pela solidariedade na blogosfera: o caso Ana Rodrigues (todas as contribuições estão disponíveis no Blog pela Educação); o caso Procurador Vital Moeda (um dossiê documentado seguiu para as instituições públicas competentes). Esses dois gestos, juntando a mil e tantos posts e a uma tonelada de comentários, mostram a importância da ocupação deste novo espaço, sempre aberto a quem queira entrar. Sim, não é fácil manter um blog, não por causa do tempo porque isso arranja-se sempre, mas sobretudo por causa da pequenez das nossas ilhas ou da mesquinhez de muitas almas, mas o prazer de uma masturbação consequente supera qualquer mal-estar. Por isso, desejo que, em 2009, apareçam mais blogs para enriquecer a nossa blogosfera.


Igualdade na Diferença 2008 (destaques)

Alegria: Vinte e Sete
Tristeza: não quero ouvir adeus
Causa Justa: Ana Rodrigues
Viagem: Sintra
Fúria: Anónimos
Basta!: DomésticaViolência
Saudade: meu porto seguro
Sonho: Praça das Estórias


Blogosfera Berdiana 2008 (as minhas preferências)

Harmonia: Bianda
Olhos-nos-Olhos: Ku Frontalidade
Trabalho de Equipa: Ali bem tempu
Ficção: Soncent
DinamizAção: Café Margoso
Humor: Jornal da Hiena
Polémica do Ano: Os momentos
Fotografias do Ano: Son di Santiago --N ben di Fora!
Post/problematização do Ano: Albatrozberdiano


Votos de festas felizes a todos e a todas, bloguistas e visitantes!...
E para a malta de outras “comunidades blogosferas”, um abraço.

Festas Felizes

Desejo festas felizes a todos e a todas que por aqui passarem.
Muitas prendas, uma montanha de miminhos e calorosos abraços!

Deklarason Universal di Direitus Umanu

Hoje, Dia Internacional dos Direitos Humanos, e celebrando o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948-2008), a CNDHC apresenta esta declaração na Língua Cabo-Verdiana. Trata-se de um gesto que contribui também para a valorização da nossa amada língua materna.

...e assim, com este post, fecho este dia que dediquei exclusivamente às actividades de promoção dos direitos humanos.

Boa noite! E que cada amanhecer seja uma oportunidade para a construção de uma humanidade mais humana, de um mundo mais justo, mais solidário e mais desejado por todos e todas...

Diga: BASTA!!!

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Violência contra as mulheres é intolerável!
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Pincelada: Edith Borges

Amadora: uma cidade para tod@s!

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Acabo de receber a informação de que o luso-caboverdiano Francisco Pereira vai candidatar-se à presidência da Câmara Municipal da Amadora, nas próximas eleições autárquicas portuguesas. Esta candidatura independente «pretende dar resposta ao inconformismo da população, e em especial da população jovem, face à difícil situação social em que Amadora se encontra.»

Francisco Pereira afirma que: «É uma aposta, um desafio que enfrentaremos em conjunto, com coragem, com a firme convicção que havemos de vencer, pois temos uma enorme vontade de fazer e de transformar a Amadora, que é hoje uma cidade insegura, triste e cinzenta.» Veja mais: aqui!

Trata-se de uma candidatura pela inclusão, numa cidade onde uma larga franja da população experimenta os mais diversos tipos de exclusão! Desde já, Igualdade na Diferença promete estar atenta a esta onda a favor da justiça social, da dignidade, da cidadania e da democracia, e deseja ao Francisco Pereira e à sua equipa uma boa preparação da candidatura!

Francisco Pereira é licenciado em Ciência Política e Relações Internacionais, pós-graduado em Estudos Africanos e do Desenvolvimento e mestre em Relações Interculturais. Neste momento, é investigador no Centro de Estudos de Migrações e Relações Interculturais, da Universidade Aberta, estando também a preparar o seu projecto de doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais.

Recordar…

Vinte Sete

Faço anos. Já sabem que sou escorpião: temperamental, teimosa, possessiva, ciumenta, persistente, determinada, resistente, sensível, calorosa, emotiva, arrojada, misteriosa e sentimental... Promessa seja feita aqui e agora: vou lutar para ser uma pessoa melhor (menos chata!) nas próximas sete décadas!!!... Os anos são para mim, mas o bolo é para quem aparecer cá em casa, uma boa razão para juntar a malta, comemorando a eleição de Barack Obama e recordando Myriam Makeba.

“Retratos Cativos”


4.
Vai a mulher de boi pelo abismo
da manhã. Que langor e delícia terna
na austera vigil fronte, embora
hajam ali depositado deuses
seu alqueire de injúrias.

Pedrestes e negros, vão ele e ela,
mai-la sombra que é de ambos.
Diz-me, tu, António, se é o boi
da paciência ou bulimundo
caminho do enlace.

Diz-me que torpor ou sombra dele
se adivinha nas íris da mulher,
ou na fonte do bovino esponsal.
Diz-me, tu, cujos olhos conhecem
o prodígio que se não repete,

inda tê-lo contemplado um dia
transformou-te, como a mulher de lot,
em emudecida estátua nos baldios
onde o primeiro raspão do frio
nos punha o coração em padecimento.

Orai por eles, para que lhes seja leve
o céu ensombrecendo-se a cada
rotação, mas cimeiro retumbem sinos
de passarem à rubra esquina do tardecer.

José Luís Tavares
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Parabéns, José Luís Tavares e Gláucia Nogueira pelo prémio Literatura para Todos (Brasil/2008)!

Cantos do meu país

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Canto as mãos que foram escravas
nas galés
corpos acorrentados a chicote
nas américas

Canto cantos tristes
do meu País
cansado de esperar
a chuva que tarde a chegar

Canto a Pátria moribunda
que abandonou a luta
calou seus gritos
mas não domou suas esperanças

Canto as horas amargas
de silêncio profundo
cantos que vêm da raiz
de outro mundo
estes grilhões que ainda detêm
a marcha do meu País

Julião Soares Sousa (natural de Bula, Guiné-Bissau)

Sra. Ministra!!!

«Só podemos considerar discriminação as medidas que tratam de uma forma diferente situações iguais. Nessa altura, ainda não estava no ministério da Educação, mas como mulher, cidadã e ligada aos Direitos Humanos foi uma questão que sempre me preocupou (...). Desde o primeiro momento essa medida mostrou-se ser uma suspensão temporária, de forma a que a jovem possa ter o seu bebé da melhor forma, sem perder o direito à frequência. Na realidade a aluna grávida que, permanece no sistema de ensino, a maior parte das vezes perde o ano escolar. Portanto, essa medida foi adoptada para proteger a maternidade e a infância e criar condições para que haja igualdade de situação das alunas na sala de aula. Não defendemos que seja o único caminho para combater a gravidez precoce. É somente uma das medidas.» Ver mais aqui.

Infelizmente, desiludida estamos com esta posição da Sra. Ministra Vera Duarte! Em vez disso, uma boa contribuição da Sra. Ministra seria no sentido de facilitar o levantamento de dados sobre a “suspensão temporária de alunas grávidas dos estabelecimentos de ensino secundário” e incentivar o ICIEG (Instituto Cabo‑verdiano para a Igualdade e Equidade de Género) a realizar um estudo sobre a questão, com a finalidade de encontrar uma medida inclusiva e não discriminatória como a que esta em vigor.

Voltei da ilha

Fui no dia 2, e voltei no dia 7. Foram dias intensos, marcados pelas discussões acerca das “Mestiçagens Socioculturais e Procura de Identidade na África Contemporânea”, e noites serenas. Não havia música na capital para a malta dançar, apenas umas migalhinhas da música tradicional lá no Quintal... Limitei‑me a convívios caseiros (comi milho assado, e trouxe Spiga do Princezito!). Também escutei a sugestão do Vadu: Dixi Rubera! Dei uma escapadela ao interior da ilha...


Calheta na penumbra

Triste fiquei ao ver Calheta na penumbra! Voltámos à era do podogó! E parece que ninguém se importa com o facto de os frigoríficos da aldeia estarem vazios e do nosso almoço voltar a depender do peixe trazido diariamente pelos pescadores... Nos últimos vinte dias, o único saldo positivo parece ter sido a aquisição de rádios de pilha por causa da eleição de Barack Obama. Para além da falta de energia eléctrica, também a vila padece de água potável. Até quando? Ninguém sabe, nem a municipal câmara, que tem suportado os custos do abastecimento de água para a satisfação das necessidades mínimas da população!

à caminho da ilha maior

Vou ao encontro de Santiago, desejando que os próximos dias tardem a passar, e rogando para que as noites sejam longuíssimas!... E que me guardem milho assado! Também vou querer ver a nova roupagem da ilha, e deliciar-me da fragrância de Novembro.

Latada

Vejo a caloirada solta por um lado ou por outro, mas a maioria está “acorrentada” à sua madrinha ou ao seu padrinho. A Festa das Lata de Coimbra começou há uma semana, com serenata, concertos e bebedeira. E, esta terça‑feira, a Praça da República está engarrafada por causa do cortejo da latada. Latada é uma festa parecida com o carnaval, uma espécie de ritual de iniciação pública para a caloirada. Saindo do largo D. Denis, a malta segue pela avenida até ao Mondego, entoando cânticos de bizarria e rindo-se à‑toa para a multidão que se aproxima do palco da festa. Quando a noite começa, a caloirada baptizada com as águas do rio liberta‑se para devaneios até ao amanhecer.

No meu tempo, quando cheguei em Novembro de 2000, tinha já terminado a época de recepção da caloirada, mas aproveitei o meu segundo ano de curso para viver o que não tinha vivido no ano anterior e para “dar cabo da vida” das minhas duas afilhadas (Dulcineia de São Tomé e Salette do Porto) e dos dois extra-afilhados (Jailson de Assomada e Marcelo do Fogo). Hoje, até dizem que fui boazinha!...

Michelle and Barack Obama (II)

…última semana antes da grande terça. Tudo indica que Obama será eleito no dia 4 de Novembro.
Inicia-se assim a contagem decrescente…

Grande Prémio Cidade Velha


Grande Prémio Cidade Velha 2008

O historiador Elias Moniz, autor da tese de doutoramento Africanidades e Eurocentrismos em Pelejas Culturais e Educacionais no Fazer-se Histórico de Cabo Verde, é o vencedor do Grande Prémio Cidade Velha, instituído pelo Ministério da Cultura de Cabo Verde. Trata‑se do maior prémio nacional atribuído à investigação científica, social e humana, sobre a realidade cabo-verdiana, sendo um incentivo à produção nacional, num país onde quase inexistem apoios institucionais nesta área.


Grande Prémio Cidade Velha 2005

Na 1ª edição do Grande Prémio Cidade Velha, o vencedor foi o sociólogo Gabriel Fernandes. A sua tese de doutoramento deu origem ao livro Em Busca da Nação: Notas para uma Reinterpretação do Cabo Verde Crioulo, que juntamente com a sua obra prima (--A diluição da África: Uma Interpretação da Saga Identitária Cabo‑verdiana no Panorama Político (Pós)colonial--) e os livros de José Carlos Gomes dos Anjos (--Intelectuais, Literatura e Poder em Cabo Verde: Lutas de Definição da Identidade Nacional--) e de Manuel Brito‑Semedo (--A Construção da Identidade Nacional: Análise da Imprensa entre 1877 e 1975--) constituem os principais trabalhos sobre a (des)construção da identidade nacional, fabulosa e estrategicamente inventada e defendida como sendo mestiça.


Feliz Dia da Cultura Cabo-Verdiana!
Parabéns, Elias Moniz!
Parabéns, jovens Prémio Pantera!

«perguntas cafeanas»


João Branco

Uma jovem mulher que mora com um “tio”, toma conta da casa, dá-lhe carinho, amizade, sexo, em troca das propinas da Universidade e de umas roupas na boutique mais in da cidade, entra num sistema de trocas que não difere muito do tipo de relacionamento que existe em tantos casais que vemos por aí, ou é preciso chamar os bois [leia-se “vacas”! --- (este parêntese é da inteira responsabilidade da autora deste blog)] pelos seus nomes?


Eileen

[…] Eu ainda acho que o “tio” que paga as propinas é que sai com lucro do tal relacionamento. Vejamos: já está com mais de cinquenta, tem um bom salário, logo, dinheiro não é problema. Mas! Está só, não sabe tomar conta de si, porque foi casado e era a mulher que lhe fazia a comida, cuidava dos filhos, vigiava a sua própria saúde, dizendo-lhe “não comas isso, não bebas aquilo, vai fazer análises, toma este comprimido”. Separaram-se e o “tio” ficou perdido na vida. Precisa de alguém que lhe passe a roupa e lhe compre os boxers, que lhe diga que o cabelo já levava um corte e que se calhar esse caroço na próstata devia ser visto por um médico; ele ainda dá um bom show entre os amigos e enfeita o jeepão; essa moça faz as compras, cozinha, lava, blá blá blá e isso tudo só custa dinheiro. E dinheiro, ele tem. // Mas vamos ver o lado da nossa estudante. É nova e bonita, podia ter o rapaz novo e fogoso que quisesse. Mas não. Lá está ela com o “tio” gorducho, cabeludo, com um hálito meio podre, a tomar conta dele, provavelmente com pouco respeito por si própria, mas pensado: eu ainda vou ser alguém na vida e dar um futuro diferente aos meus filhos... […]

Doméstica violência, e se eu for a próxima?

«em alguns bairros críticos da Cidade
de São Filipe, 43% das mulheres dizem
que são agredidas
diariamente



doméstica violência…
e se eu for a próxima?

se esta minha pele macia, sumaúma,
agredida for por um…?

se o meu corpo de sereia
manchado ficar com as mãos di nha kretxeu, ki kren txeu?

se na minha face de encantada
o sorriso for travado por lágrimas desesperadas?

e se eu for a próxima?


Voto pela Felicidade!

Sim, sou a favor da união entre pessoas do mesmo sexo! Contra todos os preconceitos e moralismos vazios, devíamos deixar de obstaculizar a felicidade dos gays e das lésbicas! É claro como a água do riacho que «os direitos sexuais são direitos humanos»! (Veja os principais pontos em discussão na terra lusa aqui: Lilás com Gengibre)...

………..

Notícia da hora do almoço --- infelizmente, o projecto de lei do BE (casamento entre homossexuais) foi chumbado! E o PS justificou que «não era o momento certo para fazer alterações à lei em vigor». Conta outra, PS!!! Uma excepção fantástica, a do Manuel Alegre... Um dia desses vou declarar a minha paixão por Manuel Alegre!

o desejo da viagem


Poema do Mar

O drama do Mar,
o desassossego do mar,
---------sempre
---------sempre
---------dentro de nós!

O Mar!
cercando
prendendo as nossas Ilhas,
desgastando as rochas das nossas Ilhas!
Deixando o esmalte do seu salitre nas faces dos pescadores,
roncando nas areias das nossas praias,
batendo a sua voz de encontro aos montes,
baloiçando os barquinhos de pau que vão por estas costas...

O Mar!
pondo rezas nos lábios,
deixando nos olhos dos que ficam
a nostalgia resignada de países distantes
que chegam até nós nas estampas das ilustrações
nas fitas de cinema
e nesse ar de outros climas que trazem os passageiros
quando desembarcam para ver a pobreza da terra!

O Mar!
a esperança na carta de longe
que talvez não chegue mais!...

O Mar!
saudades dos velhos marinheiros
contando histórias de tempos passados,
histórias da baleia que uma vez virou a canoa
de bebedeira, de rixas, de mulheres,
nos portos estrangeiros...

O Mar!
dentro de nós todos,
no canto da Morna,
no corpo das raparigas morenas,
nas coxas ágeis das pretas,
no desejo da viagem que fica em sonhos de muita gente!

---------Este convite de toda a hora
---------que este Mar nos faz para a evasão!
---------Este desespero de querer partir
------------------e ter que ficar.

Jorge Barbosa

Lá no meu cutelo, temos uma velhota que sonhava viajar pelo mundo. Um belo dia, à sombra de uma velha acácia, na rua das padarias, Vinda foi desembrulhando o grande sonho da sua vida. Então a velhota revelou que queria viajar para países que ficam no além das fronteiras de Cabo Verde, mesmo que fosse para ir até Maio! A velharada que escutava abanou a cabeça num sinal de entendimento da profundeza do sonho partilhado, mas a criançada não esperou um segundo sequer para romper gargalhadas. A tarde enchera de riso, mas Vinda nem se importava com o motivo da risada. Queria viajar... tão-somente!...

tantas interrogações

...um mito?

Numa entrevista ao Jornal de Notícias, Sveva Casati Modignani afirma que «a igualdade entre o homem e a mulher é um mito» (bom, eu acredito que é possível, embora a luta seja árdua, necessitando da colaboração não só das mulheres, como dos homens!). Apesar disso, não posso deixar de aplaudi­r a autora do Feminino Singular quando realça que «actualmente, as mulheres têm dois empregos: fora de casa e dentro dela. Mesmo a vida de uma mulher que se considera insignificante daria por certo um grande romance. Ser educada como mulher, casar-se, constituir família, criar os filhos... É uma tarefa ingrata que só nós podemos fazer. A autoconfiança das mulheres tem que ser elevada. Basta vermos a nossa coragem.»

Ainda agrada-me ouvir que, «no romance Feminino Singular, sobre a maravilha que é a maternidade, conto a história de uma mulher que tem que criar três filhos sem a ajuda de ninguém e, no entanto, sai-se lindamente. Quantos homens poderiam fazer o mesmo que ela faz? As mulheres são seres extraordinários.» Para terminar, a autora não deixa de concluir que, «no campo do trabalho, as mulheres ganham menos do que os homens. Nos postos de liderança, seja nos governos ou multinacionais, as mulheres são quase excluídas (...). As capacidades femininas têm que ser reconhecidas na exacta medida do que já acontece com os homens. O mundo irá funcionar melhor quando os dois sexos forem colocados no mesmo nível.» Belíssima entrevista, e agora fiquei curiosa para ler o referido livro!


Mito sou eu!

«O meu trabalho é feito de afectos», disse Mito Elias ao Expresso das Ilhas, numa entrevista crítica que extravasa a produção artística em Cabo Verde. Gostei da perspectiva crítica! E aproveito para ressaltar três ideias abordadas pelo artista berdiano. Aqui vão elas:
1. «Na nossa Arca de Noé só são permitidos alguns bicharocos.»
2. «Sempre tiveram um porte soslaio com os meus projectos, mas eu tenho uma teoria para isso: como todos os meus projectos têm uma veia descomplexadamente em crioulo, será certamente por aí que se deve procurar as razões.»
3. «Apesar da Internet e das facilidades de comunicação que existem, hoje em dia, as informações são mal processadas, a ponto de termos documentários sobre música que se confundem com teleculinária ou blogocratas que se julgam os faróis da nossa cegueira.»


Blogosfera berdiana

A blogosfera berdiana está a crescer a olhos vistos. Porém, não sei por que razão, tem sido alvo de pequenas duras críticas. O que está a acontecer? O que significa «blogocratas»? Será que temos «blogocratas que se julgam os faróis da nossa cegueira»?

Independentemente das respostas, a blogosfera berdiana está uma maravilha, numa diversidade significativa. Entretanto, toda a humildade é necessária e deve ser a marca dourada de qualquer blog ou blogista, pois os nossos saberes e as nossas experiências são sempre uma pontinha do que existe...

Faces da Vila

Gostei de ver! Linda menina, minha Calheta...

Raízes no Mar


Parte de um cais a minha viagem
E ela só leva uma trouxa de mim

Há um mar que à minha saudade se agarra
E um monte que da minha solidão abdica

Vadinho velhinho

Ajeitei a minha mochila e segui viagem. Por mais quantos anos? Talvez três ou quatro. Só sei que quero sair de Coimbra antes das minhas primeiras rugas!...

 
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