A minha filha partiu uma tigela na cozinha. E eu que me apetecia escrever sobre o evento, tive que pôr de lado inspiração e lápis, pegar numa vassoura e varrer a cozinha.
A cozinha varrida de tigela ficou diferente da cozinha de tigela intacta: local propício a escavação e estudo, curto mapa arqueológico num futuro remoto.
Uma tigela de louça branca com flores, restos de cereais tratados em embalagem estanque espalhados pelo chão.
Não eram grãos de trigo de Pompeia, mas eram respeitosos cereais de qualquer forma. E a tigela, mesmo não sendo da dinastia Ming, mas das Caldas, daqui a cinco ou dez mil anos devia ter estatuto admirativo.
Mas a hecatombe deu-se. E escorregada de pequeninas mãos, ficou esquecida de famas e proveitos, varrida de vassouras e memorias.
Por mísero e cruel balde de lixo azul em plástico moderno (indestrutível) Ana Luísa Amaral
2 Comentários:
Seja bem-vinda!
Aproveita bem...
Beijinhos
Val
Voltar a casa?
Voltar ao berço?
O azul do mar é único.
Talvez seja do céu. Ou então é sómente o olhar, de cada vez que se perde na areia...
Onde é a nosso berço?
Um bom fim-de-semana para ti...
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