sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

... contra dengue!

domingo, 1 de Novembro de 2009

Caim, Jesus & Eu


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Fui hoje ao Novo Santuário de Fátima. Uma promessa, ok! E eu que tinha andado muito distraída, nos últimos anos, qual não foi meu encantamento, constatar in loco, el nuevo Jesus, belíssimo!
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Saramago, vejo a nudez de sempre; em vez do esquelético, medito agora diante de um corpo atlético, um olhar distante, um rebelde de dred encarapinhada, um poema, melhor um heteropoema dos novos tempos e templos!
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Com este novo Jesus, muda-se efectivamente o olhar e a representação?

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Regresso

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Mamãe Velha, venha ouvir comigo
o bater da chuva, lá no seu portão.
É um bater de amigo
que vibra dentro do meu coração.
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A chuva, Mamãe Velha, a chuva,
que há tanto tempo não batia assim...
Ouvi dizer que a Cidade-Velha,
a ilha toda –
Em poucos dias já virou jardim...
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Dizem que o campo se cobriu de verde,
da cor mais bela, porque é a cor da esp'rança.
Que a terra, agora, é mesmo Cabo Verde.
É a tempestade que virou bonança...
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Venha comigo Mamãe Velha, venha,
recobre a força e chegue-se ao portão.
A chuva amiga já falou mantenha
e bate dentro do meu coração!
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Amílcar Cabral
(Cabo Verde e Guiné-Bissau)
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quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Mais um caso de violência sexual

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Desta vez, uma jovem, natural de São Domingos, quando regressava à casa, após um dia de trabalho, foi abusada por um condutor de Hiace, que diariamente a transportava. A jovem Indira, com apenas 20 anos de idade, teve a coragem de denunciar o caso, que agora anda nas mãos da PJ.
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segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Na esquina do tempo

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Hoje, pelas 18:15mn, no auditório da Biblioteca Nacional, o antropólogo Manuel Brito‑Semedo apresenta-nos o seu novo livro, intitulado Na Esquina do Tempo: Crónicas de Diazá.
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Trata-se de um pequeno livro, cronicado, feito de momentos tacteados na fina-flor da infância e juventude do autor. A apresentação estará a cargo da escritora Fátima Bettencourt.
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Certamente, mais do que recordar coisas de diazá, Brito‑Semedo nos proporcionará um momento de introspecção e de partilha, de emoção e de cidadania. O livro é um reconhecimento do autor à sua mãe, que anda doentinha, e a totalidade das vendas reverte-se a favor da Associação Cabo-verdiana de Luta Contra o Cancro.
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Um abraço ao autor. Desta vez, lá estarei.

Brinka Batuku

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A mansidão do mar, a secura da terra, a canção das ondas na praia da minha infância. Calheta, pela madrugada, não tem igual. Preferia que a noite não acabasse nunca, que as pessoas continuassem adormecidas no sossego das suas casas, que a vida continuasse assim encostada no sonho. Porém, o sol rebelde acorda-se rezingão, e desalenta toda a aldeia. Desafia-me, sempre. Convida-me para um mergulho na praia da Batalha. Aceito, vejo o fundo do mar. Recordo a noite passada, o festival de dança no Polivalente Grande, o batuque quente no quintal da dona que desconheço o nome. Nos quatro cantos do concelho, donas e crianças cantam e dançam, misturando o «tradicional» e o «moderno» para uma revolução do batuque. E eu, se jeito tivesse para a dança, da minha Calheta, inventaria uma que afagasse o sol e excitasse a chuva.

quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Oh mar, oh mar!

estou nas ilhas, no largo do atlântico…
oh mar, oh mar!
como é bom voltar ao teu regaço!!!

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Praianas

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Todos nós éramos
praienses adoptivos convictos praianos
irmãos dilectos dos nativos da cidade
cientes das suas susceptibilidades
e dos sonegados pergaminhos
da cidade amada que nos criou
da urbe adoptiva que aprendemos
.............................................../a venerar
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Poemas de Nzé di Sant’ y águ
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É hoje, pelas 18.30, na Associação Cabo-Verdiana, em Lisboa, o lançamento do novo livro do poeta cabo‑verdiano José Luís Hopffer Almada. A apresentação estará a cargo da professora Ana Maria Martinho, do poeta Luís Carlos Patraquim e da poetisa Ana Paula Tavares.

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Cidade Velha, Património Mundial

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Cidade do mais antigo nome
(excertos)
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Não pediste o alimento ínvio
nos íngremes dias de infância,
nem o peso do pó regateaste
pelo lento entardecer dos anos,
embora setembro nas alturas
seja tanta luz a apascentar o verde.
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Altas vozes te nomearam
impávido cordeiro do sacrifício,
mas sei que eras apenas essa criança
sobressaltada quando no horizonte
surdem velas corsárias e o céu se
despenha da rota algibeira de deus.
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Por isso este abismo cavado
à flor da tua fala mansa, e as luzes
que trazes nos cabelos pulsando
como um anoitecido rebanho de estrelas.
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Estes desgrenhados versos que te ofereço
agora são o viático da desforra
nos enrouquecidos pulmões da história:
tudo cabe na garganta do tempo
ou à ilharga desse sol pernalta
pastoreando as mudáveis coisas do mundo.
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José Luís Tavares

domingo, 21 de Junho de 2009

«O útero da casa»

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Mátria
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Quero-me desperta
se ao útero da casa retorno
para tactear a diurna penumbra
das paredes
na pele dos dedos reviver a maciez
dos dias subterrâneos
os momentos idos
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Creio nesta amplidão
de praia talvez ou deserto
creio na insónia que verga
este teatro de sombras
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E se me interrogo
é para te explicar
riacho de dor cascata de fúria
pois a chuva demora e o obô entristece
ao meio-dia
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Não lastimo a morte dos imbondeiros
a Praça viúva de chilreios e risonhos dedos
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Um degrau de basalto emerge do mar
e na dança das trepadeiras reabito
o teu corpo
templo mátrio
meu castelo melancólico
de tábuas rijas e de prumos.
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in O útero da casa,
Conceição Lima (Santana, ilha de São Tomé).
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O destino de Cidade Velha
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Amanhã, em Sevilha, decorre a 33ª Sessão do Comité de Património da UNESCO para a avaliação final da candidatura da antiga cidade de Ribeira Grande, a nossa Cidade Velha, à Património Mundial da Humanidade. Trata-se do berço da nação cabo-verdiana, uma cidade erguida num pedaço de chão, no remoto século XV. E fica aqui este poema emprestado da Conceição Lima para uma meditação enquanto as novas não chegam…

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Isaura

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Isaura Gomes, Cabo Verde.
primeira mulher deputada na Assembleia Nacional (1975-1980).
primeira mulher presidente de uma Câmara Municipal (eleita em 2004; reeleita em 2008).
primeira mulher a se disponibilizar para uma eventual candidatura à Presidência da República.
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Parabéns, Zau. E obrigada por quebrar muitas barreiras.
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A actual conjuntura interna parece favorável para a corrida presidencial no feminino: ela-contra-ela.
Uma já se disponibilizou. Falta a outra...
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segunda-feira, 8 de Junho de 2009

a eurodeputada

eleições europeias.
resultados históricos para o BE:
Miguel Portas, Marisa Matias, Rui Tavares.

sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Marcha contra Violência...

Hoje, a sociedade civil cabo-verdiana vai se manifestar, com uma marcha pelas ruas da capital, que começa às 15h, condenando a violência contra as mulheres. Sabemos que a violência contra as mulheres é uma maldição nas nossas casas, nas nossas vilas e cidades, nas nossas ilhas, no nosso país, no nosso mundo. Portanto, ninguém deve se calar perante o incrementar de mais casos trágicos que assolam famílias, crianças e a nossa juventude.
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Percurso: Achadinha Cima, Avenida Cidade de Lisboa, Fazenda, Plateau, com paragem na praça Alexandre de Albuquerque, frente ao Tribunal; descida do Plateau, Rotunda de Chão de Areia, Avenida Cidade de Lisboa, com paragem frente ao Palácio de Governo.

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Poeta-laureado

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XXIº Prémio Camões: Arménio Vieira
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...Meus amigos e minha amigas, Camões chega finalmente às ilhas afortunadas... Arménio Vieira, um poeta e escritor que já estava quase esquecido lá pelas bandas da capital cabo‑verdiana, acaba de ser galardoado com o Prémio Camões 2009. Este prémio maior da literatura produzida na lingua lusa já distinguiu mais de duas dezenas de escritores e escritoras, poetas e poetisas, que também são meus/minhas: Miguel Torga, Jorge Amado, Maria Velho da Costa, José Saramago, Pepetela, Sophia de Mello Breyner, Eduardo Lourenço, José Craveirinha, Agustina Bessa-Luís, António Lobo Antunes e agora Arménio Vieira...
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Arménio Vieira nasceu na cidade da Praia (ilha de Santiago, Cabo Verde), em Janeiro de 1941. Foi um elemento activo da geração de sessenta, um dos fundadores da Sèló: Folha dos Novíssimos. Tem colaboração dispersa em várias publicações (Mákua, Alerta, Imbondeiro, Ariope, Boletim de Cabo Verde, Vértice, Raízes, Ponto & Vírgula, Fragmentos e Sopinha de Alfabeto). Está incluído em diversas colectâneas. Publicou dois livros de poesia - Poemas (1981) e MITOgrafias (2007); a novela O Eleito do Sol (1989) e o romance No Inferno (1999). Acaba de concluir um novo livro de poesia, pronto para a sua publicação (que seja em Cabo Verde e além fronteiras!). Também já foi galardoado com muitos outros prémios. Em Março deste ano, João Branco encenou a peça “No Inferno”, que foi mais um momento de emoções para o autor da obra.
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…fico feliz, porque ainda estou vivo...
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Das reacções
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«A título pessoal, eu esperava o prémio. Mas por causa de ser Cabo Verde, admiti que fosse ainda um bocado cedo. É pequeno em relação à imensidão do Brasil, que tem centenas de escritores óptimos. E Portugal também [...]. Acho que é uma honra para Cabo Verde. É histórico, Cabo Verde nunca tinha ganho. Desta vez, lembraram-se do nosso pequeno país», disse Arménio Vieira.
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«Arménio Vieira reagiu, à sua maneira [...]: “Eu preferia não ganhar […]. Já recebi mais de 100 telefonemas, já dei várias entrevistas, enfim, isto cansa.”», disse Arménio Vieira.
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«É um escritor/poeta de ruptura, que saiu da tradicional ladainha da terra de Cabo Verde e abriu-se ao mundo. Arménio Vieira faz uma literatura de dissidência saudável [...]», Ministro da Cultura de Cabo Verde, Manuel Veiga.