Africanidades versus Europeísmos

a descolonização ideológica está destinada
a fracassar, se negligenciar a ‘tradição’ endógena
ou as ideias ‘ocidentais’ exógenas [...].

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Kwame Anthony Appiah, filósofo anglo-ganês.
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É amanhã, pelas 18:30mn, na Biblioteca Nacional, a apresentação do primeiro livro de Elias Alfama Moniz, intitulado Africanidades versus Europeísmos: Pelejas Culturais e Educacionais em Cabo Verde. Este livro é fruto de uma longa investigação, realizada no âmbito da sua tese de Doutoramento em História, defendida na PUC/SP (Brasil), que lhe garantiu o ‘Grande Prémio Cidade Velha 2008’. Nesta análise crítica sobre o papel da educação no desenvolvimento nacional, Elias Moniz enaltece o extraordinário “crescimento quantitativo das infra-estruturas e dos efectivos escolares”, em Cabo Verde. Todavia, isto “não foi suficiente para erradicar a dependência cultural”. Elias Moniz dá conta das ambiguidades que marcam os projectos culturais e educacionais, no nosso particular contexto histórico. Deste modo, além de destacar o pragmatismo que caracteriza o período após a independência nacional, este estudo evidencia ainda o modo como as heranças coloniais se reproduziram no sistema de ensino, nomeadamente nos currículos escolares. Aponta ainda para o desperdício de saberes; e chama a atenção para as disparidades inter-ilhas, mas igualmente entre o campo e a cidade. A actualidade da sua problematização acentua-se quando introduz a questão da co-existência ainda hierarquizada entre a língua portuguesa e a língua cabo-verdiana no nosso caso insular, que também se reflecte no sistema de ensino nacional.

 
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