
Poucos segundos depois, apareceu na nossa mesa uma senhora poliglota. Respondia ao empregado transmontano, falava com o turista italiano da mesa oito, acudia a uma espanholita que queria saber onde fica não sei o quê, despedia do casal francófono, mandava sentar o britânico escaldado... Quando chegou na nossa mesa, entoei as minhas saudações na língua cabo-verdiana, variante de Santiago, pensando que ela ia desmanchar-se em incompreendismos. Muito pelo contrário! A dona de cara linda virou para mim e disse num sorrisso gargalhado: “a menina é cabo-verdiana! Olha que tive uma colega da Praia. Deve conhece-la! O nome dela é Fátima... Mas já só me lembro da palavra kretxeu e também da Cesária Évora.” Fartei‑me de rir com a animação da senhora tão expert no seu ofício como as rabidantes lá da minha terra...
No cambar da tarde, regressámos para Coimbra. Aproveitei para revestir a minha sacola extra e trocar acessórios na minha mochila. Depois segui sozinha para a segunda parte das minhas férias. Desta vez, para além de uma estadia prevista em Lisboa, tinha planos para uma escapadela até Sintra.