Cidade da Praia

(Praia, 28 de Dezembro de 2007)

Cheguei a tempo de assistir à apresentação do álbum Badyo de Mario Lúcio. Podia escrever tantas palavras para descrever a minha tamanha emoção aquando da apresentação do novo álbum deste artista badyo. Porém, prefiro apenas recordar a magia do silêncio que circundava o Farol da Praia, o som das ondas no fundo da noite, o cair do milho no balaio da dona que desconheço o nome e a contagiante melodia do Mário Lúcio. Também registei com muito agrado o facto do Mário Lúcio ter convidado dois dos seus amigos para a apresentação do álbum: António Correia e Silva (Sociólogo e Historiador); Djinho Barbosa (músico).

O meu desejo de abraçar a cultura d’terra era tanto, que fui a tempo de espreitar a exposição Entre o Trabalho e o Sonho do jovem das montanhas Bento Oliveira, na Reitoria da Universidade de Cabo Verde. Não podia deixar de espionar, no Palácio da Cultura Ildo Lobo, a exposição das obras que participaram no “IV Concurso Jovens Pintores”, patrocinado pela Companhia de Seguros Garantia.

A minha paixão pela leitura me levou até a Biblioteca Nacional para assistir à apresentação do novo livro da Vera Duarte, intitulada Construindo a Utopia, apresentada por Manuel Faustino e pela Cristina Fontes. Ainda, na Biblioteca Nacional, tive a oportunidade de assistir à apresentação do livro de Jeremias Dias Furtado, que incide sobre a Regulação dos Transportes Rodoviários no Desenvolvimento Sócio-económico e na Integração Cultural. Confesso que após as palavras iniciais do Gabriel Fernandes (Sociólogo), fiquei com sede na boca e só queria mergulhar pelas estradas projectadas em linhas filosóficas por Jeremias Dias Furtado.

A minha vontade de conhecer mais jovens com interesses pela investigação científica me levou até a Reitoria da Universidade de Cabo Verde, com a finalidade de participar no II EJIC, que foi um encontro de partilha de ideias e de emoções, de críticas e de solidariedade académica. Como tive a possibilidade de constatar, o II EJIC foi um encontro que estendeu-se para além dos três dias. No meu caso, colhi boas frutas. Estive com a Maria do Rosário Varela e a Arlinda Cabral. Abracei os meus irmãos de Coimbra: Odair Varela e Victor de Barros. Murmurei sobre o novo estilo demasiado desportivo do Jairzinho Pereira, o nosso menino rebelde d´Helsínquia. Sintonizei com a Ivone Centeio e o Gaudino Cardoso. Gostei de saber que o Mário Carvalho é irmão do Francisco Carvalho. Chamei Kaka (nome do meu pai e de quase todos os Carlos) ao Carlos Tavares. O Suzano Costa exaltou-se comigo, mas acredito que foi por um simples equívoco. Para além do Cecílio Pires, cruzei-me com mais jovens de São Miguel com interesses pela investigação científica: Clementina Furtado e João Semedo. Fiquei maravilhada com as investigações da Celeste Fortes e da Maria Verúcia de Souza (mais duas problematizadoras da situação das mulheres cabo-verdianas). Bebi das reflexões do Daniel Costa, abrindo focos para futuros debates. Gostei da intervenção da Ivete Ferreira, na sequência da minha apresentação. Simpatizei-me com a Vera Alfama, a Sónia Silva Victória, a Graça Sanches, o Júlio Rocha Delgado, o António Baptista e o Elias Moniz. Belisquei o Rui Freitas, quando este falava da língua cabo-verdiana, brincando que a variante de São Vicente é mais deliciosa do que a variante de Santiago. Projectei conversas de cafés com o Milton Paiva e o João Dono. Ganhei nov@s amig@s: Jorge Brito Neves, Sá Nogueira, Aguinaldo Monteiro e Danilson Barros. Gostei de ter convivido com os demais participantes no encontro. E ainda fiquei sensibilizada no segundo dia do II EJIC, quando o Danilson perguntou-me se eu tinha de regressar à Calheta no fim do dia. Respondi: “sim”. E ele virou para mim e disse: “se quiseres podes ficar na casa da minha irmã. Ela não está no país e podes lá ficar até amanhã (ou seja, até ao final do II EJIC)”. Gostei do gesto e da sinceridade no olhar deste doce menino d’Praia. Juro que se não tivesse um esconderijo na capital, eu aceitaria o agasalho do Danilson (Dany, obrigada pelo gesto e pela preocupação!).

Gostei das delícias nos cobiçados recantos da capital: Quintal da Música (pela musicalidade e magia), Noz África (pelo paladar africano), K (pela presença do mar)... Após as escapadelas de fim-de-tarde e das programações de início da noite, nada saciou as minhas saudades como a vista sobre a praia de Quebra Canela a partir da Cruz do Papa. Foi ali que sacudi as minhas asas ao sabor do luar.

Na Kapital, conheci pessoas bonitas, muitas da blogesfera berdiana. Gostei de arriscar a pista pelas mãos do Tide, o meu mais recente primo (ciberdescoberta!). Depois fomos com a turma do II EJIC para o Max Club, mas não gostei. Peço desculpas a tod@s por não ter tido a paciência de ficar até mais tarde. O ar estava muito abafado e havia muita gente em tão compacto espaço. Pior, eu não tenho tanta paciência para aturar música bué de alta nos meus ouvidos, miúdos transpirados a tentarem encostar a cabecinha na minha, inspirações de semi-embriagados, etc. Enfim, ainda bem que, de quando em vez, alguém me desvia para outros sítios.

 
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